20070418

meu bel

mal me achaste
foste ouvir
bem meu bel
meu decibel
veio ver
o planetóide
onde vivo
um mausoléu


mal me viste
bem cuspistes
nos meus pés
pequenos pés
pro prosápia
de amantes
como fôsse
seu papel...


propalando meus segredos
espalhando todos medos
invertendo sofrimento
invertendo toda dor



já ouviste "privativo"?
não me invada o planetóide
tire o pé da minha mesa
e esqueça já meu bel!!


não te quero ver nem perto
não te quero ver nem longe
não ver-te, ter-te
não preciso nem responde

vá embora jogue fora
a memória do meu bel
não me ouça
não me acolha
esqueça agora o decibel

mal me viste
e invadiste
o planetóide
mausoléu
onde vivo
bem sozinha
larilando o decibel

bem aqui eu fico e presa
não aceito assim surpresa
quero só ficar pra sempre
com meu bel
então esqueça

20070416

acredito em tanta
tanto
tudo
e só,
sã,
só .
que seja meu o problema
que seja eu quem resolva
que seja eu quem me ouça
que não se ofereça quem não pode
que não me diga que pode
então que meu ouça eu
apenas eu me ouça
e me chore
me lamente
me ignore
que eu me apoie
me apoie em mim
e resolva a mim
e ame a mim
e que seja
so
sã
só sempre.
que eu me chore
só eu chore a mim.

20070414

conselho

Mortifica o medo e sente muito
diga que sente
ainda que custe, diga
sempre custa...
corre. cai... é o que fazem
acredita!
absolutamente crédulo
céticos perdem ludibriações das mais preciosas

Faça doer.
ausência de dor é rotina
prefira que doa.
ou você pode viver todos os dias este mesmo dia...
é que dor é ferida
tempo
cicatriz
é lembrança
Permaneça
todos sempre vão...
então seja crédulo
caia
sinta.
tanta dor.

20070412

Minueto (revisto e censurado)

É bem como se fôssemos minueto e trio.
como se não temessemos coletivo, plural.
como se fôssemos
minuetássemos
em três por quatro
e em humor elevado e suspensos, todos nós.
e em rondó circular
como se coisas fossem mesmo apenas coisas e pessoas fossem pessoas
é como se simplificassemos
como se fôssemos bem aquele nó
e o sendo, permitissemos o desate.
como se controlassemos mesmo o desatar...
como se fossemos dodecafônicos
supersonicos
polifonicos
emitíssemos sons
nos fazendo entender os incomunicáveis de sentir e ser.
não somos.
harmonicamente distantes
semínimos
semifusos
difusos em terminologias
e nos vestimos ainda que esteja quente
nos vestimos de outros e por instantes os somos
e então somos vários e apenas um os finge a todos.
como se flutuassemos
mas não somos
tão mais fácil se minuetássemos...

<>




Sou pedaço de pluma na fresta de luz

Pequena dançando na sua janela

Me sopra com vento

Me deixa voar

Me deixa no sol

Me deixa escapar


Aquele pedaço de pluma no dedo

Bem na pontinha do seu anelar

Me sopra com vento

Me deixa voar

Me deixa no sol

Me deixa escapar

Me deixa fugir, me põe na janela

Lá fora na chuva

O medo me espera