20080227

história fantástica de intrigas, amor e paixão – capítulo 3

Obviamente, depois do dito episódio as coisas mudaram um pouco no tocante às recomendações e a variedade de castigos/corretivos aumentou significativamente. Não satisfeitos com o flagelo físico, meus pais optaram por aderir à moda do sacramento da dor emocional.
Consiste em ameaçar o unigênito com a primogenitude. Sacou? Deixar de ser o único pra ser o mais velho.
A Usurpadora [vulgo ‘irmã caçula’] conferiu ao nosso lar doses diárias de discórdia e maledicências, munida sempre de habilidades muito competentes: mijar, cagar, gritar. Nesse ínterim eu já tinha desenvolvido no mínimo uns 7 métodos diferentes pra me estrepar na escola e em casa com a língua grande e a cara de fuinha. Minhas réstias de atenção ameaçadas por um feto gritavam por socorro. Foi então que o oráculo infantil chamado Xuxa Meneguel me deu uma luz [eu sempre soube que ‘lua de cristal me deixaria seqüelas por toda vida, mas quis assistir].
Tá legal. Não foi nada premeditado já que aos oito anos eu ainda achava que a vovó Mafalda era mulher. Não tinha QI pra arquitetar planinhos malignos maléficos do mal como o que rendeu uns milhões pro Macaulay Culkin em The Good Sun.
O relevante é que a coisa funcionou. Anote aí. Você vai precisar de:
1 - Professora com disfunção cerebral mínima – uma unidade;
2 - Uns 0,98% de credibilidade com os pais;
3 - Dom interpretativo infantil – duas unidades;
4 - Um “porta-consciência” para esconder a bichinha de si quando for necessário;
5 - Tesoura sem ponta;

Bem-aventurado o pai que matricula filho hiperativo em escola presbiteriana. Eu já cursava a segunda série no Reverendo Jonas Dias Martins quando aconteceu pela primeira vez. Tudo bem que depois de certo tempo a gente pega gosto pela coisa e não há como evitar, mas o prazer sobrenatural de cometer tal ato não tira o fardo que se carrega quando a primeira vez é a sua. Aos oito anos ninguém pode estar psiquicamente preparado, mas aconteceu.

Cheguei atrasada na escola.

Amigo eleitor, eu, 10 anos distante da maioridade, já enfrentava a dura vida dos coletivos pela cidade. Saí da porr$% da casa da amiguinha atrasada e cheguei depois do ritual macabro em que se fecham os portões de aço e cobre e granito da porr#$ da escola porque o ônibus também não ajudou.

Num desalento na frente da escola na beira da calçada me pus a chorar por ter chegado depois do sinal e em menos de 7 minutos a minha tenra face já se tingia de pecado. Sem coragem para bater no portão e dar de cara com a Marlene que me conduziria até a cadeira mal estofada da diretora pra levar o sabão, me vi no caminho de volta pra casa maquinando o que seria a minha primeira manifestação teatral pública.
- que é que você faz tão cedo em casa, lilinha?
- a professoraTatianaquebrouaperna. [olhos saltados simulando um semi-espanto]
- nããão. Sério?
- éééééé!
- nãããão. Jura?
- éééééé! Que coisa, não? – acrescentei num ar meio lúgubre [okay. O mais lúgubre que uma criança semi-alfabetizada poderia simular].
Notando os segundos de descrença me desfiz em pranto pela pobre professora estatelada no chão beeem na minha frente enquanto eu entrava no colégio e as aulas todas foram suspensas e foi um carro preto com um cara gordo que esmagou todos os ossinhos daquela perna roliça e pegou de cheio a direita dela e ela desmaiou na hora e tiveram que chamar a emergência e o gordo fugiu e ela ligou pra polícia e bla bla bla bla bla.

Pronto.
Por hora, a fase A do plano B ‘havia sido’ consumada com sucesso. A lorota malfadada colou e eu passei o resto do dia vendo TV. Porém... na manhã seguinte...

To be continued.
Rrá!

20080220

história bem maravilhosamente permeada de sangue, conflitos e final absurdamente feliz - capítulo 2

Meter-se a lançar pretenso best-seller para fazer boa figura entre as anormalidades literárias é besteira. Quando o mentor intelectual da farsa ainda é calouro nas esquizofrenias autobiográficas é besteira suicida. Quer ver piorar? é só contar para os dois ou três leitores nas últimas linhas do prólogo que aquela propaganda do subtítulo é pegadinha do malandro. Enfim, agora que as coisas já estão às claras e já se sabe que a história de amor e aquela firula toda era atrativo para atrair leitor de saga, não sobra alternativa senão prosseguir. Seria a única opção não fosse nobreza daquela que concebeu o título sobre história de amor e bla, bla, bla. Prometo permear a infeliz desventura do rebento (eu) com a fantástica fábula surreal do romance entre quem deu o ponta-pé inicial nessa coisa toda (meus pais).

Numa retomada ignorante do primeiro capítulo, a temática era o período pré-alfabeto. No tempo em que ser dona-proprietária de cabelo desgrenhado, óculos com a cara da Mônica nas astes e unhas roídas fazia de mim alguém extremamente especial [apenas para adultos, obviamente] eu descobri premissas pra vida:

1. falar bastante faz você parecer autoconfiante se souber fingir bem;
2. falar bastante faz com que você realmente acredite que tem domínio da situação [incluindo idas à orientação na escola, esquiva de castigo, papos de velhotas e papos de igreja];
3. falar bastante faz você parecer mais inteligente se conseguir concentrar todo o palavrório em cinco minutos [mesmo que seja um discurso de meia hora]. é só articular bem as palavras;
4. falar bastante também pode te fazer parecer bem idiota;
5. falar bastante te obriga a permanecer depois das aulas de castigo atrás da porta;

1989 acolheu minhas primeiras punições por querer parecer esperta.

Imagino que tenha sido num momento desses de ternura entre pais e filhos - desses em que a gente perde um pouco o raciocínio lógico e acha que coisas como levar criança pra jantar de adulto num ambiente sem criança funcionam - foi que os meus optaram por não me deixar vendo televisão com alguém enquanto jantavam na casa de velhos amigos. Eu fui junto.

uma das vantagens de crescer num lar cristão é o desenvolvimento de habilidades cristiânicas como o amor. Foi o amor que me moveu a pensar em fazer valer aquela oportunidade de mostrar para a minha mãe e seu cabelo de Sebastião da época que eu poderia freqüentar as reuniões de adultos sem problemas. Nas roupas eu não pude influenciar muito e fui vestida de bolo mesmo, mas o que importa é o conteúdo, rapaziada. Levei um livro de anedotas do Ziraldo e minhas melhores frases de efeito para entrar no contexto quando fosse necessário.

Era tanta confiança no pequeno prodígio aqui que eu nem me lembro de ter ouvido recomendações como 'não fale de boca cheia', 'não é permitido comentar as idas ao banheiro', 'peido, pum, arroto, virar os olhos. banidos'.

Não foi necessário. Nessa noite eu me comportaria como uma daquelas crianças encantadoras moldadas e aperfeiçoadas por gente do naipe de Mary Poppins e Super Nanny.
Na época eu completava meus seis primeiros anos e na empreitada literária há poucos meses, me interessei pela jocosidade dos trocadilhos e piadícas infames que eu nem entendia, mas provocar riso é sempre uma boa entre os adultos, né?
Na mesa, pedi atenção da maneira mais polida, versátil e infantil. Gritando. Funcionou. Naquela de quem fala mais alto, quando a adultaiada começa a se exaltar e tudo acaba numa grande gargalhada eu quis entrar na disputa também e ganhei destaque.
Com aquela feição de expectativa trocando olhares entre si que representavam alguma coisa parecida com “olha só que gracinha!” foi que aquele pessoal acompanhou a minha piadinha envolvendo elementos ingênuos como sorvete, saia e poste.

Mais ou menos isso:
- e aí, o joãozinho mandoua menina subir no poste e ela perguntou: ‘mas o sorvete ainda não mudou de sabor’ e ele disse: ‘aaah era só pra ver a sua calciiinha’.

Desde então eu descobri que toda criança passa por uma espécie de trote familiar para entrar no universo adulto. O que os pais chamam de surra.

20080215

história bem bonita de amor com final feliz - capítulo 1

o romance mais aguardado agora em fascículos.


Uma pancada das tramas literárias que tendem a virar trilogia-epopéia tem seu início, quando ainda em livro, com descrições de no mínimo duas orações sobre o clima [como se a porcaria da estação realmente ajudasse em alguma coisa no desenrolar do dramalhão que se segue]. Não consigo imaginar nem de perto a temperatura debaixo daquela vestidorama da minha mãe em outubro de 1984, quando meu pai conseguiu convencê-la a casar-se com ele. Pulamos a parte climática com a denúncia do local do enlace matrimonial. Rio de Janeiro, Duque de Caxias, em outubro [não que o mês vá alterar alguma coisa no imaginário de quem sabe como é que a coisa funciona naquele Rio de Janeiro cheio de mosquitos transmissores de doenças e mais quente que ferro de carvão].

De qualquer maneira, até o momento do altar de suor muita coisa aconteceu e é essa muita coisa que me proponho a transformar em prosa.
Depois de muitos solavancos no pau-de-arara da vida, meu pai, piauiense, 29 anos, tendo cursado até o quarto ano do primário, deu de Don Juanar a carioca mais cheia de banca do meio batista. De flerte com o filho do pastor da Primeira Igreja, quase patrimônio histórico do Rio, figurando entre os donos da maior membresia do velho oeste com seus 600 componentes ativo-atuantes-participantes. Coisa de batista. Minha mãe e outras cocótas faziam a vez pela frente suntuosa do templo carioca quando o magricela do meu pai deu com os dedos na nariga arrebitada da dona minha madre e como nos filmécos da época disse “eu ainda vou namorar você, Mirian”. É claro que ele deve ter dito isso num surto psicótico suicida e ter saído correndo depois ou, como manda a cartilha soarina, deu uma gargalhada gutural e fingiu estar brincado.

No fim, a estratagema furada funcionou e depois de um dramalhão que eu conto num outro dia, estamos de volta ao altar.

Quando criança eu cismei que aquela horrorosa que levava as alianças nas fotos era eu, dando vazão aos primeiros sinais do que seria o triunfante complexo de inferioridade estética que nos acompanha até a adolescência. Como eu ainda apresento traços fortíssimos do comportamento adolescil [que certamente me acompanharão até os anos 80 do século 21], essa imbecilidade acaba por tornar-se fato relevante. Isso da feiosa do buquê ser eu. Tempos depois, aprendendo cálculos no Kumon, notei o quão improvável seria que aquele monstrengo das alianças fosse a mesma lilóca. O que não amenizou a decepção nos momentos de espelho em que eu decorava cada dobrinha roliça no meu braço gordinho aos 7 anos.

A essa altura meu truque para engodar um possível leitor que ingressou na empreitada de engolir esse texto imaginando tratar-se da comovente história de amor dos meus pais já deixou de funcionar, não é? É a minha história. A-há! Te pegue-ei!

20080121

tribos urbanas


Sempre contando com a colaboração de grandes pensadores do século, Tribos Urbanas ressurge num golpe de mestre de O. de Paula, nosso cronista desta manhã!



Hoje, com os monitores B-HD (Braile - High Definition) e a mais nova revolução na comunicação, o Psy-Codigo-Morse, aqueles que não têm a habilidade de enxergar gente morta com muita freqüência [gente viva com menor freqüência...] são os componentes da malfadada tripo cegueta.


Tendo como caracteristica principal o Romantismo, são flagrados constantemente dividindo o mesmo fio de macarrão [até dar aquela bitoca ao molho] e o espetáculo se repete com um tabaco e chocolate... é a coisa'marrrlinda!


São incrivelmente alergicos às substancias liberadas pelas pontinhas de borracha das bengalas*, mas são imunes ao daltonismo! não é legal?


Sua inteligencia peculiar lhes conferiu descobrir que o azul que um não enxerga é o mesmo que o azul que o outro também não vê.


Também são imunes a piadinhas da infamidade; observe:


1- Infame:
Leia isso: [Não consigo ler nada]


não cego: - Não consigo le-rrr na-da.


Infame: - Então se aproxime e tente denovo.


não cego: - Ok, não consigo ler na-da.



2- Infame:


Leia isso: [Não consigo ler nada]


acometido pela cegueira: - Não consigo ler nada!


Infame: - Então se aproxime e tente ler denovo.


acometido pela cegueira: -É cegueira, po! e não analfabetismo funcional.


3- Infame moderno:


- Leia isso aqui:


[..'.''..''..'''..'''.']


acometido pela cegueira:


- Não consigo ler nada.


Infame moderno:


- Ok. Não quero parecer chato mas suas córneas anelares precisam ser operadas




*"tava no onibus;uma senhora grávida sentada e com o onibus já lotado entrou um velhinho com uma bengala e teve que ficar de pé. A bengala dele escorregava e ele quase caia; a grávida disse a ele:- se o senhor colocar uma borrachinha na ponta dessa bengala ela naum escorrega mais!o velhinho:- se o seu marido tivesse colocado uma borrachinha na ponta da dele eu tinha um lugar pra sentar!"
ahahaahahahahahah

20080118

ilustração


Feto xiita posto de castigo depois de tentativa de suicídio

reverb tribos urbanas

num milagre semântico nasceu ELIS REGINA DA SILVA, colaboradora da saga que doou o mais belo dos capítulos.




Está é a única tribo urbana que você não encontra andando por ai. Não gastam calçados de jeito nenhum, na verdade esses camaradinhas não gastam é com nada, são verdadeiros parasitas intra-uterinos, também conhecidos com fetos!

Os fetos são de fato vistos como irrelevantes aglomerados fatídicos em fase de transição, vivem reclusos e esquecidos pelo resto da sociedade, não sendo reconhecidos como classe até que migrem para a tribo dos infantes.

Toda essa falta de consideração que a sociedade tem para com os fetos acaba causando um sentimento de revolta. Desde priscas eras a insurreição desses bolinhos celulares está instituída. A revolta consiste em lutar pelo que estabelece a declaração dos direitos do homem: TV acabo, literatura dirigida, intenet (mesmo que discada) e coca-cola.

As ações táticas dessa tribo na luta pelos seus direitos básicos se dão por meio de chutinhos delicados, escondidelas do sexo e, entre grupos mais radicais, suicídio com o cordão umbilical. Tudo o que eles exigem em sua luta secular é uma vida digna nesse lugar obscuro e sombrio chamado baixo ventre onde foram "introjetados" sem a mínima autorização.





fica o protesto, não é mesmo minha gente?

conto da meia preta


I



ela reflete




Nesses tempos em que a gente fica abatido, meio gripado, vai ao médico e ganha guia pra neuropsiquiatra, ela leva essa vida meio sem graça, meio chata, meia boca, vida de meia, saca?
Infortúnio do destino foi que conduziu o doutor senador pra comprar pacote cueca box + meias pretas brindeando o kit. Comprou-a para fazer vista com o sapato preto, a gravata engomadinha e aquela indumentária toda desse naipe de maleta e gel no pouco cabelo.
O pé esquerdo da meia preta. Pendendo na ponta da gaveta feito essas donzelas de livro velho imaginando que vida de meia hippie é que era boa. Cantar e sacolejar entre sandália suja, filho! E ainda mais! ser a peça principal já que essa hippongada nasceu livre das amarras sociais que compelem a gente a fazer uso dessa coisa cafona que é roupa, né? Aí é que tava a vida. Isso de beijar bico de couro todo dia fazia o cerebelo parar de oxigenar. Credo. O pé na meia, a meia no couro o couro na rua. Que caramba! Quem lambia o joanete era a pretinha da meia e quem via o mundo era o safado do pedaço de couro/sapato. Sacanagem...





II





ela deprime








Ralinha de uso por ser exclusiva vivia a rotina malfadada: gaveta, pé, roupa suja, água, gaveta, pé, roupa suja, água, gaveta, pé. A pobre desde menina tem como parceiro, além do pé direito, a porqueira toda que um pé de hobit feioso guardado 18 horas diárias pode conter. Na cômoda onde o deleite era sonhar com prosopopéia e fingir que era meia de hippie, a esquerda parte do par de meias pretas do mais nobre excelentíssimo senhor ministro de sei lá o que (tem coisas que não são relevantes na vida de uma meia) nem sabe direito se é mesmo esquerda já que meia a gente veste de qualquer lado, mas pelas divagações de esquerdista que a behaviorista tem a gente logo deduz né? Povo besta fala da rebeldia da me. Já ouvi dizer até que era por ser preta! No Brasil minha gente, ser preto e de esquerda é fod*.
Rotina e lugares desprivilegiados deprimem qualquer pedaço de tecido libertário feito a tal meia preta do pé esquerdo do tal do ministro de sei lá o quê. Dia passa que a gente nem vê quando se está do lado de fora feito gravata, abotoaduras, sapato... quando se é meia, amigo, a gente tem couro duro batendo na cabeça dum lado e dedo encruado do outro e é sinuca/dilema todo dia.




III









ela definha







Era um vazio. O vazio quase cem vezes maior que de fome e que o pé cabeludo não podia preencher... vazio n’alma.
Num domingo chuvoso o extremo horror de si a tomou por completo. Cabisbaixa e pensando latim [porque não há nada que combine mais com morte do que latim, já dizia F. Telles]. Centrífuga barulhenta mal a deixava pensar um positivo bem hare chrishna e deixar de pensar besteira. O cheiro de água sanitária onde cueca Box Branca nada agonizando fazia tudo virar cor e som distorcido.
Foi quando um torpor de meia com bafo de peixe soprou pra pobre da meia meio desalentada que melhor seria dar cabo desse fardo no balde de sanitária. É. Coisa do ‘meia-meia-meia’. Metade queria matar-se e outra sublimar a crise meio que num supetão... Fazer passar. Isso de querer e não querer virou transe, alfa, zonzeira, gorfo, sacolejo, pileque, porre. A pobre mal se segurava no cesto da roupa suja de cara pro balde... e no três o pobre paninho viu a vida num segundo. Quando ainda tinha ‘lupo’ no verso, plástico e etiqueta no lugar de cheiro mofo e couro lhe roçando... ah, meia fadada ao alento do além!




IV





ela reviiive!




Splash balde a dentro... Sentiu comichões pelo corpo destonalizando cada pedacinho negro feito Michael Jackson! Num segundo já via tudo turvo e pedia socorro num frenesi! Branco, negro, branco, negro, branco negro...
E vejam só onde é que a pequena parou! Caixa de papelão cheia de cacareco colorido só podia ser coisa boa. E o cheiro era feito doce, feito bom! Sem calo, joanete, couro, aperto, fedor!
O vazio? Que vazio, minha gente? A meia envolvia uma coisinha nova, rosada, macia, cheirosa! Como é que é? Mão! Ééééé!! mão de mulhééééééé!De meia vazia, fedida, deprê, esbaforida, alvo de deboche, a meia esquerdista, pretinha [agora mêi bege] virou foi fantoche!









clap clap clap!

freeeakstyyyle!


Para o capítulo que explora o último elemento de celulóides componentes desse frenesi que é o convívio social, escolhemos o pitoresco amontoado de características belas que quando em desarmonia causam uma das mais curiosas anomalias visuais: FREAKSTYLE.

Adotamos a terminologia bushense-norte-ameríndia pra facilitar a compreensão. Freakstyle é uma espécie de ofensa visual indizível e impossível de se classificar na categoria do categorema de horrorosidades (vulgo: feios).

Amontoar combinações na tendência ‘retrô’, recente corrente filosófico-indumentarial é o ‘in’ no âmbito freakstyle. Se observarmos as tendências freakstyleanas vamos notar nuances do que a gente pode chamar de bonito isoladamente, mas o tal do ‘over’ é tããão ‘over’ que vira um amontoado de caracteres provocando o que os ambientalistas chama de poluição visual.

A ofensa visual não é feiurinha nem defeito de nariz. É Acúmulo de acessório/características gritantes. Saca orelhudo com cabelo surfistinha? Desse naipe. Temos também beiçudos narigudos. Não são necessariamente feios, mas são ‘oooover’. E mais uma vez a natureza impõe o grupo ao qual pertencemos não é mesmo minha gente?

Idosos, infanto-juvenis, nostyle e freakstyle nasceram presbiterianos [predestinados] a pertencer aos seus respectivos grupos... sentença, bênção, maldição, sabe-se lá.

O que vale é pertencer e despertencer feito os parasitas de gangues. Pensa só: velhote, orelhudo, com cabelo surfistinha, desorientado quanto ao que vestir e no que acreditar. Pôh! Uma criatura dessas pode ser o que quiser, manja?

Neste último capítulo, pequeninos, tomamos como lição alguns princípios básicos da vida em sociedade:

1. cuidado com suas orelhas grandes. Elas podem determinar o grupo ao qual você vai pertencer para todo sempre.

2. Parasitas sempre se dão bem.

3. A Elke Maravilha não pertence à tribo alguma

4. Sou um parasita.

5. Não prometa séries que não tem capacidade intelectual pra manter. ahahahahahahah

*

Num telefonema infeliz desses de quando a gente cai no infortúnio de fazer a coisa errada na hora errada foi que eu ferrei meu janeiro.

- alô! Oi! Chefa? Me dá uma pauta?
- toh de férias, Lilian, caramba!
Férias! Lá no dezembro ele parecia um janeiro tão seguro, tão pacato, tão bacana... tão chovendinho como todo janeiro que se preze...
Tou num janeiro tortuoso e novo demais pra minha calhordisse [de calhorda, sabe?]. Ora! Não moro no litoral, não tenho passe livre pra sambangandar nas madrugadas nem tou suficientemente incomodada pra fugir daqui, então, uma pauta cairia feito luva.
Minha desordem mental é quase do tamanho da preguiça que me toma desde segunda das 11 às 19h e eu mal consigo delimitar assuntos pra discorrer. Fico valsando nos acordes de ‘stars’ e perco as estribeiras da narrativa. Ó. Tá vendo ali em cima? Queria descrever a tarde do telefonema, mas agora, aqui, desisti. E é nessa inconstância que eu vou levando o janeiro. Tou fechando os olhos gordinhos e me encostando no travesseiro aí vejo nas pálpebras semi-abertas pedaços dos filmes que tenho assistido, dos absurdos que tenho vivido, das sandices que tenho pensado e faço força pra reviver os poucos momentos em que não ponderei as vírgulas todas. Em que eu não pensei no que diria ou pr’onde olharia. Esses deslizes do meu pudor/horror/temor distraído. Puf, dormi.

20080117

Enquantou tou parindo os 'freakstyle' ainda estamos em pausa pra contos.


Dia desses topei com uma espécie de Victor Hugo moderninho e achei de bom tom compartilhar uns tesouros literários. Ia colocar minhas críticas e um monte de blá blá blá mas um texto de surto precisa ser lido no surto mesmo.

Foi assim: Ferreira Gullar teve um filhote com o Dalton Trevisan e o moleque comeu a Lygia Fagundes Telles e daí veio o autor do texto, o dramaturgo mais cineasta de que já se teve notícia. É um Victor Hugo rasgando os bastidores das trevas em que se sepultam os homens.

dou só um pedacinho agora dum que gosto por causa dos elementos e que me causa inveja por não ter as minhas embolações de orações.





O vencedor da guerra.



Sou um safado. Morto, vivo, safado. Mas todos ao meu redor gostam disso; gostam da guerra é isso que querem. São muito burros, sabe? Não manjam do que falo. Boto minha mão no fogo se não vai ter neguinho que vai se complicar no que vou falar.
A guerra é constante, eterna. A 1ª Grande Guerra, a Segunda são uma tapeação. Guerras mundiais temos todos os dias. Numa discussão, no amor, olhares, até em brincadeiras. Podem me chamar de idiota, mas prezo pelo mais esperto. A raposa nunca passou fome. Trapaceou. Ora, contra as regras? Que regras? De Deus? Que Deus? Desde que isso foi construído a merda está feita, não existem anjos ou santos, os demônios estão soltos. Até diria eu que nem demônios, diria: nós que estamos soltos e sempre estivemos. A moral traz a ordem? Ou camufla a guerra? A guerra sangrenta que nos ocorre desde que nascemos ao mundo. Sangramos por dentro e assim dissemos: É a vida! Corretíssimo! É a vida. A vida é uma guerra e eu tenho que ganhar, sozinho, pois ninguém vive a mesma vida.
E matar? O que posso dizer desta tática de guerra tão cruel. Cruel para os olhos daqueles que querem que seja cruel e poder ganhar o grande jogo, a Grande Guerra. Uns, tolos, fazem o que mandam. São os "certos", eu diria: "perdedores". Vão ao trabalho perder mais uma batalha para aquele de posto superior, mas saem felizes para a casa aos braços da família. Foram enganados com a suposta vitória. Porém, cada dia a derrota é mais vergonhosa. Matar nem pensar podem perder a vida, a família e tudo ao redor, a paz de ser livre. Livre da consciência da guerra. Isso sim! E eu postulo! A realidade incognoscível é a realidade da guerra humana eterna. A linguagem nos deturpa, a práxis nos corrompe a acreditar na maravilhosa vida cheia de prazeres. É mais uma tática daqueles que querem vencer e ganhar a sua medalha. E quem nos condecora? Nós mesmos, os vencedores. Os perdedores sorriem e agradecem por viverem em paz e felizes. Não sabem eles que perderam! Perderam a guerra!
E Você deve estar se perguntando: e quem ganha? Quem ganha? Ha, Ha, sinto lhe dizer que ainda não houve ganhador.




por Rob Ashtoffen

20080115

[ pausa pro conto ]

Com os olhos altivos de quem exala formaldeído por todos os poros é que docentes mumificados ambulantes incriminam cada tentativa de tornar a academia dos “foca” menos pedante. O que os catedráticos do categorema ignoram é a transição do vidro pro pet que eu testemunhei! Do k7 pro i-pod, do álcool líquido pro gel, da touca pra escova progressiva, da metro pra ubersexulidade. Os pobres discentes de duas décadas feito nós se submetem à uma série de martírios impostos no ignóbil currículo destinado a protagonizar a decadência da nobreza no jornalismo. Observe:Estágio é coisa complicada de arranjar. A gente vende fígado na feira, cruza as pernas de mini saia na mesa do chefe do colegiado, deixa o Poney fazer massagem nas costas e mal consegue meia-entrada na mostra de cinema. Enfim, por embriaguez do destino e relaxo de Deus, consegui uma dessas biqueiras boas.Biqueira boa até a designação da tarefa mais jornalística que eu, projétil de foca mutante, já recebi.Revista Sescap é a revista dos amigos sindicalizados engomadinhos que pagam seus impostos ou os sonegam voluntariamente de modo que a aristocracia londrinense não perceba e os ame e respeite e os convide para banquetes light.Essa revistaê está no encalço de Devanir. A figura careca mais cheia de perdigotos de que já se teve notícia no mundo dos camelôs.Devanir é um cara barrigudinho de bigode discreto com a careca avançada pingando ironia.É contador, chefe, empresário e proprietário do estabelecimento cujo nome acima da porta indica: “contabilidade”.Com ele, outros três garotos, ainda no colegial, desenvolvem habilidades matemáticas com calculadoras daquelas grandes com botões que ativam aquele agradável som das teclas (estavam no modo on).Ele, o Devanir, trajava uma camisa pólo cinza com singelas manchas de suor nas axilas, uma corrente dourada (provavelmente carregando a santa protetora dos pilantras) e jeans surrado.Eu, a lesa, trajava indumentária comum aos trabalhadores infanto-juvenis. Um figurino infantilizado para compadecer entrevistados composto por saia xadrez + boleros com figuras engraçadas. Rementedo à colegiais, para que a aura de delatores que os jornalistas carregam fosse dissipada.Na porta de vidro, um menor de idade me lança o olhar de “que que é?”Eu pergunto: Devanir?Ele aponta pro careca na mesa do canto.Tudo num cubículo pouco maior que 5m².Estendi a mão, ele apertou:- oi! meu nome é Llian Soares e eu sou "estudante de Jornalismo da UEL" (aahahahahahha). O senhor poderia me conceder uma entrevista para cumprir atividades de estágio?Ele, suando:- Demora?Eu, implorando:- quinze minutinhos. Pode ser agora?Ele, bufando:- senta aí. Pode perguntar.Eu, no último grau que a falsidade pode atingir num sorriso:- como é que se dá o milagre do Devanir?Ele, abismado de olhos arregalados:- ah! (gargalhada gutural) aaaah! Vc ta brincando comigo? Já ouviu falar em ética?Você deve tah começando né? Vou te dar um conselho. Não pode entrar assim e perguntar isso. Andou me pesquisando?Eu, com a melhor feição de simpatia que eu consegui forjar no auge do ódio:- voltando às perguntas, pq a diferença de preço entre o senhor e os outros escritórios de contabilidade é tão grande?Ele, rindo um riso nervoso:- você pode se retirar. Antes que eu comece a te ofender, se retire.Eu, suplicando:- é só responder pq!!! Pq é tão mais barato?Ele, levantando:- ou você levanta e vai embora ou eu vou ter que te retirar à força.Eu, me mijando:- mas seu Devanir! Não vai ser publicado (mentira).Ele, segurando meu bracinho de leve mas na ameaça de estraçalhá-lo caso eu insistisse:- por favor, moça.Eu, com o rosto queimando num misto de raiva e covardia:- eu falei alguma coisa que ofendeu o senhor?Ele, comigo já na porta:- Não. Não falou não. Ta vendo isso aqui? (apontou pro tapete) Isso aqui, daqui pra cá é minha propriedade. Você se retira, passa daqui pra lá e nunca mais volta, por favor.Eu, derrotada, sem matéria, sem fonte, sem coragem, sem chão:- sim senhor.

20071107

nostyle

E o que temos agora lombarde?


Hodiernamente o vasto cardápio de opções tribais as quais se pode pertencer acabou por dar vida ao que classificamos no TRIBOS URBANAS como “nostyle”.
Diferente do que o termo popularmente adotado no inglês significa (sem estilo), os nostyle são acúmulos de estímulos e estilos em que nem Elke Maravilha e toda a sua democraticidade vestumentarial poderiam ingressar. São quase ALLstyle.
Além da vestimenta, que é o que identifica o grupo à distância temos a postura social: nostyle são os populares “emcimadomuro”. Quem não decide nada, não opina nada, não escolhe nada, não acha nada. Ser nostyle é de uma simplicidade tamanha... fato que se nota ao dimensionar o tamaaanho do grupo.

O governo português, por exemplo, é composto pelos pioneiros do grupo nostyle, marcados pela incapacidade de expressar opinião advinda do próprio governo português, bem como o governo que nos rege, [o brasileiro, não é mesmo?]. A arte de não expressar opinião transcende essa coisa do “não sei”. Existe uma vertente dos nostyle que desenvolveu no decorrer dos anos a inacreditável habilidade de reproduzir opiniões! É!

“Para que dar pitaco se a gente pode copiar o pitaco do vizinho, não é mesmo minha gente?” (um pouquinho mais para trás Gabriela... isso... {splash!} vide www.meunomeeregina.blogspot.com).

Regina Duarte sobre os nostyle (com cortes).

Discorrer sobre indivíduos que acumulam estilos alheios se torna complexo por ter de abordar todos os tas alheios estilos: uma criatura que consegue a proeza de combinar Vô Dútche (Von Doutch) com uma bela calça de couro pode ser elencado para figurar no time dos nostyle, por exemplo.

Os pertencentes à nobreza dos “out.of.the.fashion” são quase new hippies, visto que não existe preconceito (nem pós conceito... conceito algum) é um abraço no mundo dos estilos.

Para quem ainda não consegui conceber a ideologia nostylística é simples:

Se você, caro amigo, não recebeu do Criador aquele senso de combinação e acha que verde bandeira e amarelo ouro ficam bem em “Black Tie”, se você tem numa escrivaninha bege os CDs do Jeito Moleque e do Slipknot na mesma prateleira, se você mulher, faz florzinha na unha com esmalte branco e tem um coturno do naipe do 5.º Batalhão, acabamos de identificar a qual TRIBO a vossa benevolência pertence: eres uma persona absolutamente desestilizada.

E tem mais! Escolhe seu candidato através do quesito de avaliação “beleza e carisma”?
Escolhe seu time em dependência da liderança no campeonato? Sua filosofia de vida consiste em recitar para si “a voz do povo é a voz de Deus”? Quando criança recebeu o carinhoso apelido de “mary-go-with-others?” (pq em português tudo fica óbvio pra gente que é alfabetizado...)

Nostyle merecem espaço na cartilha das tribos, mas obviamente não encerramos aqui a questão. Para compreender o nostyle de vida desta categoria, anos de jornalismo investigativo se fariam necessários, mas pra você que deseja apenas conhecer as opções, fica a dica, certo?

Nos vemos no proximo TRIBOS URBANAS, folks.

=E (dentes de vampiro. homenagem à fuer)

20071018

tribos urbanas II - INFANTO-JUVENIS

Neste capítulo da prosopopéia “tribos urbanas” homenagearemos a tribo ascendente desde a veiculação na mídia de programas alusivos ao grupo como a série animada “punk brewster, a levada da breca” e a novela da rede TELEFE, Canal de televisión abierta de la ciudad de Buenos Aires, denominada “Malhacyón”.

O que estes programas têm em comum?

Infanto-juvenis.

O grupo social que deu vazão à subgrupos como os nostyle, freakstyle e briófitas
[que analisaremos à fundo em próximos capítulos].

A expressão “infanto-juvenil” por anos foi apropriada por lojas de departamento para dar nome à medida de elementos da moda. Não raro víamos em vitrines anúncios preconizando “coleções infanto-juvenis”, fato que causou extrema revelia dos membros do grupo ainda vagando no anonimato.

Hoje, depois do surgimento de movimentos empenhados na luta pelo reconhecimento da classe, protagonizados pelos grupos “chiquititas” e “amigas y rivales”, a categoria vem ganhando expressão no cenario nacional e além da televisão, na literatura também é possível encontrar o espaço dedicado aos I-J (infant...)

Ex.:
“EVANGELHO EM CASA – Chico Xavier / Meimei
Seção – Infanto-Juvenil
Obra infanto-juvenil em que a autora espiritual, em linguagem doce e cativante, traça roteiros e sugere diretrizes para o Culto do Evangelho no Lar.”

Fonte: www.rumos.com.br

Diferente do que pode parecer, o grupo já figurava entre as tribos urbanas antes mesmo do processo de urbanização. Antes dos anos 80 já havia direcionamento midiático para os pertencents à classe.

Acompanhe:

The Muppet Show (tradução em Portugal: Os Marretas) foi um programa de televisão INFANTO-JUVENIL, cujos personagens eram fantoches, geralmente, com grandes olhos e grandes bocas, produzido por Jim Henson e sua equipe entre 1976 a 1981. Algumas das personagens mais conhecidas são: o Sapo Caco (Cocas) e Miss Piggy.
Nos Estados Unidos ainda é exibido, e suas principais personagens já estrelaram vários filmes. É um dos programas de existência mais duradoura, tendo estreado em 27 de Setembro de 1976.
Os infanto-juvenis habitam a região árida das escolas primárias e ainda é possível encontrar remanescentes da corrente em uiniversidades e inseridos em outros grupos sociais clandestinamente.


Infato-juvenil segundo a 92.ª Edição da Barsa, é todo indivíduo(a) munido de atrofia cerebral no tocante ao desenvolvimento [naipe maturidade] e desprovido de habilidades de interação social com qualquer espécie de progenitor.


Em síntese, infanto-juvenis são a matéria-prima para classes como EMOfílicos, loiras-adolescís, e os populares adultoscomcomplexodepeterpan.

Acompanhe as próximas edições e descubra mais sobre esse peculiar grupo yanomami.

20071008

|| Série Tribos Urbanas ||

Imagem acima



A sociedade pós-moderna tem presenteado analistas com anomalias sociais das mais variadas.

Nesta série vamos elencar alguns novos grupos sociais vulgarmente conhecidos como ‘tribos’: briófitas, mancos, famosos de revista, telefonistas, pré-vestibulandos, fetos, idosos entre outros.

No capítulo de hoje conheceremos os novos ícones da habitação terrestre: Idosos.

- O que comem;
- O que vestem;
- Como se comunicam;

Divirta-se:

Superando a etnia Emo, os idosos têm praticado a reprodução via osmose e superado as expectativas dos coladores de adesivo “banco preferencial para analfabetos, mancos e idosos” nos ônibus. A população de idosos representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade (8,6% da população brasileira).

Caracterizados pelo sorriso maroto com vácuos entre dentes, vestidos floridos e relógios de parede nos pulsos, a tribo idosa é sempre cheia de simpatia e flatulência (na maioria das vezes simultaneamente).

Diferente do que muita gente pensa, não existe idade para participar do clã. Em sua maioria o grupo é composto por indivíduos de 65 anos em diante, mas alguns mancebos também têm aderido o visual “retrô” e o vocabulário de gírias característico dos vovôs.


Veja na imagem acima ^
A preocupação dos sociólogos tem sido a alteração que alguns fatores podem trazer pra vida em sociedade como a idéia de nunca mais poder sentar no lotação, o aumento exacerbado de bailes vespertinos, proliferação de furões de fila amparados por lei e principalmente o aumento do IPTU para sustentar a produção em larga escala de fraldas geriátricas fornecidas pelo governo.

Infelizmente os idosos são observados como seres completamente estéreis e que não mais servem para expressar a sua subjetividade. É o que os astrônomos chamam de estigma. Naturalmente o membro da trump idosa, já pesaroso por encontrar-se biologicamente envelhecido, pode sentir-se frustrado por perceber dificuldades para obter destaque em seu grupo social, confundindo-se com a corrente EMOlógica de tribos.

O pioneiro do movimento é Cid Moreira, idoso desde os 13 anos. O fundador da corrente difunde a filosofia idosa em rede nacional e é figura de destaque no cenário de líderes sociais junto com Spider Man, embaixador emo.

Confira a nossa lista de idosos famosos:

- Sandy;
- Roberto Justus;
- Cid Moreira;
- Celso Portioli;
- Vera Fisher;
- Raul Gil;



Outras informações sobre a recém-nascida tribo urbana vc encontra em www.vidaaposamorte.org

20071003

advento dos males del Male

O conceito de virilidade é uma constante na vida de todo garoto. A predominância das pegadinhas envolvendo sexo na pré-adolescência é fato e um belo dia as brincadeiras infantis se acomodam lá no subconsciente e passam de piada de guri pra insegurança de homem.

Impotência Sexual, perda de cabelo, diminuição da massa muscular, queda de apetite sexual. Imagine tudo isso num pacote só. Todos os medos que afligem o subconsciente masculino se reúnem e acometem o meliante numa única pancada. É a Andropausa.

E a culpa é da produção de hormônios. A sistemática é a seguinte: uma glândula do cérebro, a hipófise, libera hormônios que transformam colesterol em testosterona que é a alma do negócio. Depois de muito tempo de uso, já fora da garantia, a transformação de colesterol em testosterona não é mais tão eficaz e é aí é que mora o perigo.

È claro que esse mar de catástrofes não acontece em 15 minutos e nem ao mesmo tempo. É um processo lento e gradual. Cada homem sofre a sintomática de modo diferente. Uns carecas, outros impotentes.

No espectro de sabedoria que pertence a Deus, houve o que chamamos de equilibrium naturalicum. A compensação dos males femininos. Obviamente a senhora que se presta à leitura do artigo não vai disseminar essa piadinha infame já que nesse momento, o apoio do cônjuge é de extrema importância.

Com atenção, diálogo, compreensão, e é claro, com o auxílio de medicamentos os sintomas são amenizados.

20071002



son coeur est un luth suspendu;

sitôt qu'on le touche, il résonne.

Falo da vertigem que em toma.
Não como antes,
feito fel de melindres
feito mal descarado.
Falo da vertigem que me toma feito bem
Que aquece aquele frio do vazio de ter que descobrir um mundo sozinha.
Falo da vertigem que me toma
Bem no momento em que seu olho pequeno fica menor com meus guizos infantis, e vc ri...
Falo do opaco que me toma, raciocínio rápido, ligeiro me some
E leva cada bom argumento que ensaiei te pedindo pra ficar
No certo
No seguro
No correto
No calor
Mas o torto, tempestuoso, estranho, incomum
Tão mais atraentes...
Mais atraentes que garota sem segredo...
Que menina sem idade.
Falo do desejo [incontrolável] que me toma
De descobrir cada ‘vc’ que há pra descobrir;
Até esses aí que nem vc sabe quem são...
Pretensão minha
Eu que tenho tão pouco...
Tão pouco...
E o pouco, quase nada quase some
Quando seu olho miúdo me aparece e me ri sacudindo a fagulha de tentar que sobrou aqui dentro.
E aquele pacote grande de argumentos torpes que a sagacidade me soprou virou pacotinho quando a tal fagulha enrubesceu de vergonha da minha pequenez
Aí me sobra esse quase nada que sei
Com o quase tudo que ainda há pra descobrir e o quase sempre que não temos...
Te ofereço o quase nada que sei somado ao seu e o mundo que hgá pra descobrir aí dentro, que talvez, só quem não saiba quase nada tenha fôlego pra descobrir.
E que essas duas décadas, as nossas, sejam de descoberta pq talvez esse simples,
Esse pouco,
Esse quase nada que ofereço
Não seja assim tão pouco comparado ao pouco que se descobre ao lado de outro que tanto já descobriu.
Então tenta.
Tenta comigo o muito que ainda há pra tentar e o tanto que ainda há pra descobrir ao lado de quem sabe tão pouco e de quem ama tão muito .
E desiste tão nunca.

20070928


Filho de pastor calvinista, feito eu, de batista...
ah, Van Gogh...
talvez abandonar a vaidade de manter duas orelhas vá me fazer melhor.

for.us

Pros céus

A simplicidade da vidinha cristianicamente sedada que levo
Leva todos os dias um choque novo dessa juventude que me fere a retina

E meu contato contigo, Senhor
Vira relacionamento de verdade
De gente de verdade
E a verdade que eu tinha _ em que eu acreditava _ vai virando mentira
Ou parecendo mentira, ainda que verdade

Minha cabeça dói uma dor estranha
Meus olhos queimam no meio do que eu pensei ser iniqüidade e já nem sei mais...
E meus dedos vão dançando no papel num vômito de crise feito gorfo de criança escorrendo nos valores que eu nem sei se são mesmo meus
E nem precisam ser meus. Quero mesmo é que sejam Seus, que são valores.
De verdade.
Então só aponte com o dedo o lado pra eu poder seguir ou faça assim com o queixo pra qualquer lado, só eu saber que lado. Ou sente aqui do meu lado...

.....
Pra você

E aquele a quem dedico tanto amor de “cantares” bíblicos,
Em quem me vejo em pedacinhos
Pra quem eu dedico as palavras com calor
_pq as frias são pro resto do mundo. As que contêm calor são suas. As que me contém são suas_
é uma saleta escura que eu vou tateando sem saber o “quê”
No meio de tropeços e pancadas não encontro a porcaria do interruptor e minha retina não dilata o suficiente pra te ver por inteiro.
Então tenho que juntar as partes que consigo sentir nas mãos e me assusto tanto, e me envolvo tanto...

e quero mais.

bissexualidade: a profecia

Tudo bem que os pioneiros na inversão de papéis masculinos e femininos são os índios - todo mundo faz balaio e o papel do agricultor é feminino - mas na sociedade moderna, onde mulher está para fogão bem como homem está para mecânica, a inversão de papéis virou moda.

Se Aristóteles pudesse meter o bedelho lembraria que o homem é um ser social, portanto, antes mesmo dos índios, quando a maior parte de nós ainda nem tinha saído da Mesopotâmia, os gêneros já eram lapidados pela vida em sociedade. A concentração que o homem dedica à rodada de futebol nas quartas-feiras ou às reuniões de negócios é compatível com a concentração que precisava dedicar à captura da caça e à proteção do lar. E para dar conta de velhos, crianças, agricultura, artesanato e o que mais viesse, a mulher precisou desenvolver a capacidade de lidar com várias situações de tensão simultaneamente. Enfim, testosterona e estrogênio eram produzidos em larga escala para dar conta das tarefas.

A gente já não vê mais gente caçando porco selvagem nem aldeias cujas administradoras diplomáticas sejam mulheres. Mesmo que a essência dos papéis masculino e feminino ainda permaneça, a intensidade diminuiu. Quem caça e quem cuida da casa são que já não estão mais tão delimitadas quanto há alguns séculos.

E essa alteração é o ponta-pé inicial da tese de Umberto Veronesi, médico e ex-ministro da Saúde na Itália, que consiste na seguinte profecia: a espécie humana caminha a passos largos para o bissexualismo.

Wikipédia mãe dos néscios define bissexualidade como “atração fisica, emocional e espiritual por pessoas tanto do mesmo sexo como do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual” e o esclarecimento não é por se tratar de novidade não. Só não somos todos bissexuais desde os primóridios por causa da necessidade de reproduzir, e os relacionamentos na roma antiga ratificam a afirmação. Amor de verdade era coisa de homem. Só de homem. A mulher era a coelhinha - Não. Essa da playboy não - da reprodução.

Filipo Melo, um dos colunistas do Mix Brasil, site alusivo às causas homossexuais, é menos pragmático: "Ser bissexual é como ser um duende. Ninguém acredita que existe, nenhum dos dois lados te respeita, os dois te olham desconfiados. Só que não tem pote de ouro no fim do arco-íris."

Mesmo com a impopularidade de duendes e de bissexualismo generalizado, o médico Veronesi ainda discursa sobre o resultado da evolução natural das espécies. O homem abandona as características que lhe cabiam nos primórdios – leia-se caçador, líder, mantenedor do lar, e nas palavras do doutor transforma-se numa “figura sexualmente ambígua”.

O homem caçador lá da Mesopotâmia não precisa mais de uma intensa agressividade física para sobreviver e as mulheres já não produzem tantos hormônios até porque relações sexuais para reprodução dão lugar a barrigas de aluguel e inseminações artificiais. A menor produção de hormônios acabaria atrofiando os órgãos reprodutivos e criando uma espécie de "preguiça reprodutiva" e no fim das contas, nos tornaremos um modelo único, onde a relação sexual será optativa e independente de gênero. Em suma, seremos abelhas: a maior parte seria praticamente assexuada e só uma pequena parte se dedicaria à reprodução.



uhuuul!

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