Num telefonema infeliz desses de quando a gente cai no infortúnio de fazer a coisa errada na hora errada foi que eu ferrei meu janeiro.
- alô! Oi! Chefa? Me dá uma pauta?
- toh de férias, Lilian, caramba!
Férias! Lá no dezembro ele parecia um janeiro tão seguro, tão pacato, tão bacana... tão chovendinho como todo janeiro que se preze...
Tou num janeiro tortuoso e novo demais pra minha calhordisse [de calhorda, sabe?]. Ora! Não moro no litoral, não tenho passe livre pra sambangandar nas madrugadas nem tou suficientemente incomodada pra fugir daqui, então, uma pauta cairia feito luva.
Minha desordem mental é quase do tamanho da preguiça que me toma desde segunda das 11 às 19h e eu mal consigo delimitar assuntos pra discorrer. Fico valsando nos acordes de ‘stars’ e perco as estribeiras da narrativa. Ó. Tá vendo ali em cima? Queria descrever a tarde do telefonema, mas agora, aqui, desisti. E é nessa inconstância que eu vou levando o janeiro. Tou fechando os olhos gordinhos e me encostando no travesseiro aí vejo nas pálpebras semi-abertas pedaços dos filmes que tenho assistido, dos absurdos que tenho vivido, das sandices que tenho pensado e faço força pra reviver os poucos momentos em que não ponderei as vírgulas todas. Em que eu não pensei no que diria ou pr’onde olharia. Esses deslizes do meu pudor/horror/temor distraído. Puf, dormi.
20080118
20080117
Enquantou tou parindo os 'freakstyle' ainda estamos em pausa pra contos.
Dia desses topei com uma espécie de Victor Hugo moderninho e achei de bom tom compartilhar uns tesouros literários. Ia colocar minhas críticas e um monte de blá blá blá mas um texto de surto precisa ser lido no surto mesmo.
Foi assim: Ferreira Gullar teve um filhote com o Dalton Trevisan e o moleque comeu a Lygia Fagundes Telles e daí veio o autor do texto, o dramaturgo mais cineasta de que já se teve notícia. É um Victor Hugo rasgando os bastidores das trevas em que se sepultam os homens.
dou só um pedacinho agora dum que gosto por causa dos elementos e que me causa inveja por não ter as minhas embolações de orações.
O vencedor da guerra.
Sou um safado. Morto, vivo, safado. Mas todos ao meu redor gostam disso; gostam da guerra é isso que querem. São muito burros, sabe? Não manjam do que falo. Boto minha mão no fogo se não vai ter neguinho que vai se complicar no que vou falar.
A guerra é constante, eterna. A 1ª Grande Guerra, a Segunda são uma tapeação. Guerras mundiais temos todos os dias. Numa discussão, no amor, olhares, até em brincadeiras. Podem me chamar de idiota, mas prezo pelo mais esperto. A raposa nunca passou fome. Trapaceou. Ora, contra as regras? Que regras? De Deus? Que Deus? Desde que isso foi construído a merda está feita, não existem anjos ou santos, os demônios estão soltos. Até diria eu que nem demônios, diria: nós que estamos soltos e sempre estivemos. A moral traz a ordem? Ou camufla a guerra? A guerra sangrenta que nos ocorre desde que nascemos ao mundo. Sangramos por dentro e assim dissemos: É a vida! Corretíssimo! É a vida. A vida é uma guerra e eu tenho que ganhar, sozinho, pois ninguém vive a mesma vida.
E matar? O que posso dizer desta tática de guerra tão cruel. Cruel para os olhos daqueles que querem que seja cruel e poder ganhar o grande jogo, a Grande Guerra. Uns, tolos, fazem o que mandam. São os "certos", eu diria: "perdedores". Vão ao trabalho perder mais uma batalha para aquele de posto superior, mas saem felizes para a casa aos braços da família. Foram enganados com a suposta vitória. Porém, cada dia a derrota é mais vergonhosa. Matar nem pensar podem perder a vida, a família e tudo ao redor, a paz de ser livre. Livre da consciência da guerra. Isso sim! E eu postulo! A realidade incognoscível é a realidade da guerra humana eterna. A linguagem nos deturpa, a práxis nos corrompe a acreditar na maravilhosa vida cheia de prazeres. É mais uma tática daqueles que querem vencer e ganhar a sua medalha. E quem nos condecora? Nós mesmos, os vencedores. Os perdedores sorriem e agradecem por viverem em paz e felizes. Não sabem eles que perderam! Perderam a guerra!
E Você deve estar se perguntando: e quem ganha? Quem ganha? Ha, Ha, sinto lhe dizer que ainda não houve ganhador.
por Rob Ashtoffen
Dia desses topei com uma espécie de Victor Hugo moderninho e achei de bom tom compartilhar uns tesouros literários. Ia colocar minhas críticas e um monte de blá blá blá mas um texto de surto precisa ser lido no surto mesmo.
Foi assim: Ferreira Gullar teve um filhote com o Dalton Trevisan e o moleque comeu a Lygia Fagundes Telles e daí veio o autor do texto, o dramaturgo mais cineasta de que já se teve notícia. É um Victor Hugo rasgando os bastidores das trevas em que se sepultam os homens.
dou só um pedacinho agora dum que gosto por causa dos elementos e que me causa inveja por não ter as minhas embolações de orações.
O vencedor da guerra.
Sou um safado. Morto, vivo, safado. Mas todos ao meu redor gostam disso; gostam da guerra é isso que querem. São muito burros, sabe? Não manjam do que falo. Boto minha mão no fogo se não vai ter neguinho que vai se complicar no que vou falar.
A guerra é constante, eterna. A 1ª Grande Guerra, a Segunda são uma tapeação. Guerras mundiais temos todos os dias. Numa discussão, no amor, olhares, até em brincadeiras. Podem me chamar de idiota, mas prezo pelo mais esperto. A raposa nunca passou fome. Trapaceou. Ora, contra as regras? Que regras? De Deus? Que Deus? Desde que isso foi construído a merda está feita, não existem anjos ou santos, os demônios estão soltos. Até diria eu que nem demônios, diria: nós que estamos soltos e sempre estivemos. A moral traz a ordem? Ou camufla a guerra? A guerra sangrenta que nos ocorre desde que nascemos ao mundo. Sangramos por dentro e assim dissemos: É a vida! Corretíssimo! É a vida. A vida é uma guerra e eu tenho que ganhar, sozinho, pois ninguém vive a mesma vida.
E matar? O que posso dizer desta tática de guerra tão cruel. Cruel para os olhos daqueles que querem que seja cruel e poder ganhar o grande jogo, a Grande Guerra. Uns, tolos, fazem o que mandam. São os "certos", eu diria: "perdedores". Vão ao trabalho perder mais uma batalha para aquele de posto superior, mas saem felizes para a casa aos braços da família. Foram enganados com a suposta vitória. Porém, cada dia a derrota é mais vergonhosa. Matar nem pensar podem perder a vida, a família e tudo ao redor, a paz de ser livre. Livre da consciência da guerra. Isso sim! E eu postulo! A realidade incognoscível é a realidade da guerra humana eterna. A linguagem nos deturpa, a práxis nos corrompe a acreditar na maravilhosa vida cheia de prazeres. É mais uma tática daqueles que querem vencer e ganhar a sua medalha. E quem nos condecora? Nós mesmos, os vencedores. Os perdedores sorriem e agradecem por viverem em paz e felizes. Não sabem eles que perderam! Perderam a guerra!
E Você deve estar se perguntando: e quem ganha? Quem ganha? Ha, Ha, sinto lhe dizer que ainda não houve ganhador.
por Rob Ashtoffen
20080115
[ pausa pro conto ]
Com os olhos altivos de quem exala formaldeído por todos os poros é que docentes mumificados ambulantes incriminam cada tentativa de tornar a academia dos “foca” menos pedante. O que os catedráticos do categorema ignoram é a transição do vidro pro pet que eu testemunhei! Do k7 pro i-pod, do álcool líquido pro gel, da touca pra escova progressiva, da metro pra ubersexulidade. Os pobres discentes de duas décadas feito nós se submetem à uma série de martírios impostos no ignóbil currículo destinado a protagonizar a decadência da nobreza no jornalismo. Observe:Estágio é coisa complicada de arranjar. A gente vende fígado na feira, cruza as pernas de mini saia na mesa do chefe do colegiado, deixa o Poney fazer massagem nas costas e mal consegue meia-entrada na mostra de cinema. Enfim, por embriaguez do destino e relaxo de Deus, consegui uma dessas biqueiras boas.Biqueira boa até a designação da tarefa mais jornalística que eu, projétil de foca mutante, já recebi.Revista Sescap é a revista dos amigos sindicalizados engomadinhos que pagam seus impostos ou os sonegam voluntariamente de modo que a aristocracia londrinense não perceba e os ame e respeite e os convide para banquetes light.Essa revistaê está no encalço de Devanir. A figura careca mais cheia de perdigotos de que já se teve notícia no mundo dos camelôs.Devanir é um cara barrigudinho de bigode discreto com a careca avançada pingando ironia.É contador, chefe, empresário e proprietário do estabelecimento cujo nome acima da porta indica: “contabilidade”.Com ele, outros três garotos, ainda no colegial, desenvolvem habilidades matemáticas com calculadoras daquelas grandes com botões que ativam aquele agradável som das teclas (estavam no modo on).Ele, o Devanir, trajava uma camisa pólo cinza com singelas manchas de suor nas axilas, uma corrente dourada (provavelmente carregando a santa protetora dos pilantras) e jeans surrado.Eu, a lesa, trajava indumentária comum aos trabalhadores infanto-juvenis. Um figurino infantilizado para compadecer entrevistados composto por saia xadrez + boleros com figuras engraçadas. Rementedo à colegiais, para que a aura de delatores que os jornalistas carregam fosse dissipada.Na porta de vidro, um menor de idade me lança o olhar de “que que é?”Eu pergunto: Devanir?Ele aponta pro careca na mesa do canto.Tudo num cubículo pouco maior que 5m².Estendi a mão, ele apertou:- oi! meu nome é Llian Soares e eu sou "estudante de Jornalismo da UEL" (aahahahahahha). O senhor poderia me conceder uma entrevista para cumprir atividades de estágio?Ele, suando:- Demora?Eu, implorando:- quinze minutinhos. Pode ser agora?Ele, bufando:- senta aí. Pode perguntar.Eu, no último grau que a falsidade pode atingir num sorriso:- como é que se dá o milagre do Devanir?Ele, abismado de olhos arregalados:- ah! (gargalhada gutural) aaaah! Vc ta brincando comigo? Já ouviu falar em ética?Você deve tah começando né? Vou te dar um conselho. Não pode entrar assim e perguntar isso. Andou me pesquisando?Eu, com a melhor feição de simpatia que eu consegui forjar no auge do ódio:- voltando às perguntas, pq a diferença de preço entre o senhor e os outros escritórios de contabilidade é tão grande?Ele, rindo um riso nervoso:- você pode se retirar. Antes que eu comece a te ofender, se retire.Eu, suplicando:- é só responder pq!!! Pq é tão mais barato?Ele, levantando:- ou você levanta e vai embora ou eu vou ter que te retirar à força.Eu, me mijando:- mas seu Devanir! Não vai ser publicado (mentira).Ele, segurando meu bracinho de leve mas na ameaça de estraçalhá-lo caso eu insistisse:- por favor, moça.Eu, com o rosto queimando num misto de raiva e covardia:- eu falei alguma coisa que ofendeu o senhor?Ele, comigo já na porta:- Não. Não falou não. Ta vendo isso aqui? (apontou pro tapete) Isso aqui, daqui pra cá é minha propriedade. Você se retira, passa daqui pra lá e nunca mais volta, por favor.Eu, derrotada, sem matéria, sem fonte, sem coragem, sem chão:- sim senhor.
20071107
nostyle
E o que temos agora lombarde?
Hodiernamente o vasto cardápio de opções tribais as quais se pode pertencer acabou por dar vida ao que classificamos no TRIBOS URBANAS como “nostyle”.
Diferente do que o termo popularmente adotado no inglês significa (sem estilo), os nostyle são acúmulos de estímulos e estilos em que nem Elke Maravilha e toda a sua democraticidade vestumentarial poderiam ingressar. São quase ALLstyle.
Além da vestimenta, que é o que identifica o grupo à distância temos a postura social: nostyle são os populares “emcimadomuro”. Quem não decide nada, não opina nada, não escolhe nada, não acha nada. Ser nostyle é de uma simplicidade tamanha... fato que se nota ao dimensionar o tamaaanho do grupo.
O governo português, por exemplo, é composto pelos pioneiros do grupo nostyle, marcados pela incapacidade de expressar opinião advinda do próprio governo português, bem como o governo que nos rege, [o brasileiro, não é mesmo?]. A arte de não expressar opinião transcende essa coisa do “não sei”. Existe uma vertente dos nostyle que desenvolveu no decorrer dos anos a inacreditável habilidade de reproduzir opiniões! É!
“Para que dar pitaco se a gente pode copiar o pitaco do vizinho, não é mesmo minha gente?” (um pouquinho mais para trás Gabriela... isso... {splash!} vide www.meunomeeregina.blogspot.com).
Regina Duarte sobre os nostyle (com cortes).
Discorrer sobre indivíduos que acumulam estilos alheios se torna complexo por ter de abordar todos os tas alheios estilos: uma criatura que consegue a proeza de combinar Vô Dútche (Von Doutch) com uma bela calça de couro pode ser elencado para figurar no time dos nostyle, por exemplo.
Os pertencentes à nobreza dos “out.of.the.fashion” são quase new hippies, visto que não existe preconceito (nem pós conceito... conceito algum) é um abraço no mundo dos estilos.
Para quem ainda não consegui conceber a ideologia nostylística é simples:
Se você, caro amigo, não recebeu do Criador aquele senso de combinação e acha que verde bandeira e amarelo ouro ficam bem em “Black Tie”, se você tem numa escrivaninha bege os CDs do Jeito Moleque e do Slipknot na mesma prateleira, se você mulher, faz florzinha na unha com esmalte branco e tem um coturno do naipe do 5.º Batalhão, acabamos de identificar a qual TRIBO a vossa benevolência pertence: eres uma persona absolutamente desestilizada.
E tem mais! Escolhe seu candidato através do quesito de avaliação “beleza e carisma”?
Escolhe seu time em dependência da liderança no campeonato? Sua filosofia de vida consiste em recitar para si “a voz do povo é a voz de Deus”? Quando criança recebeu o carinhoso apelido de “mary-go-with-others?” (pq em português tudo fica óbvio pra gente que é alfabetizado...)
Nostyle merecem espaço na cartilha das tribos, mas obviamente não encerramos aqui a questão. Para compreender o nostyle de vida desta categoria, anos de jornalismo investigativo se fariam necessários, mas pra você que deseja apenas conhecer as opções, fica a dica, certo?
Nos vemos no proximo TRIBOS URBANAS, folks.
=E (dentes de vampiro. homenagem à fuer)
Hodiernamente o vasto cardápio de opções tribais as quais se pode pertencer acabou por dar vida ao que classificamos no TRIBOS URBANAS como “nostyle”.
Diferente do que o termo popularmente adotado no inglês significa (sem estilo), os nostyle são acúmulos de estímulos e estilos em que nem Elke Maravilha e toda a sua democraticidade vestumentarial poderiam ingressar. São quase ALLstyle.
Além da vestimenta, que é o que identifica o grupo à distância temos a postura social: nostyle são os populares “emcimadomuro”. Quem não decide nada, não opina nada, não escolhe nada, não acha nada. Ser nostyle é de uma simplicidade tamanha... fato que se nota ao dimensionar o tamaaanho do grupo.
O governo português, por exemplo, é composto pelos pioneiros do grupo nostyle, marcados pela incapacidade de expressar opinião advinda do próprio governo português, bem como o governo que nos rege, [o brasileiro, não é mesmo?]. A arte de não expressar opinião transcende essa coisa do “não sei”. Existe uma vertente dos nostyle que desenvolveu no decorrer dos anos a inacreditável habilidade de reproduzir opiniões! É!
“Para que dar pitaco se a gente pode copiar o pitaco do vizinho, não é mesmo minha gente?” (um pouquinho mais para trás Gabriela... isso... {splash!} vide www.meunomeeregina.blogspot.com).
Regina Duarte sobre os nostyle (com cortes).
Discorrer sobre indivíduos que acumulam estilos alheios se torna complexo por ter de abordar todos os tas alheios estilos: uma criatura que consegue a proeza de combinar Vô Dútche (Von Doutch) com uma bela calça de couro pode ser elencado para figurar no time dos nostyle, por exemplo.
Os pertencentes à nobreza dos “out.of.the.fashion” são quase new hippies, visto que não existe preconceito (nem pós conceito... conceito algum) é um abraço no mundo dos estilos.
Para quem ainda não consegui conceber a ideologia nostylística é simples:
Se você, caro amigo, não recebeu do Criador aquele senso de combinação e acha que verde bandeira e amarelo ouro ficam bem em “Black Tie”, se você tem numa escrivaninha bege os CDs do Jeito Moleque e do Slipknot na mesma prateleira, se você mulher, faz florzinha na unha com esmalte branco e tem um coturno do naipe do 5.º Batalhão, acabamos de identificar a qual TRIBO a vossa benevolência pertence: eres uma persona absolutamente desestilizada.
E tem mais! Escolhe seu candidato através do quesito de avaliação “beleza e carisma”?
Escolhe seu time em dependência da liderança no campeonato? Sua filosofia de vida consiste em recitar para si “a voz do povo é a voz de Deus”? Quando criança recebeu o carinhoso apelido de “mary-go-with-others?” (pq em português tudo fica óbvio pra gente que é alfabetizado...)
Nostyle merecem espaço na cartilha das tribos, mas obviamente não encerramos aqui a questão. Para compreender o nostyle de vida desta categoria, anos de jornalismo investigativo se fariam necessários, mas pra você que deseja apenas conhecer as opções, fica a dica, certo?
Nos vemos no proximo TRIBOS URBANAS, folks.
=E (dentes de vampiro. homenagem à fuer)
20071018
tribos urbanas II - INFANTO-JUVENIS
Neste capítulo da prosopopéia “tribos urbanas” homenagearemos a tribo ascendente desde a veiculação na mídia de programas alusivos ao grupo como a série animada “punk brewster, a levada da breca” e a novela da rede TELEFE, Canal de televisión abierta de la ciudad de Buenos Aires, denominada “Malhacyón”.
O que estes programas têm em comum?
Infanto-juvenis.
O grupo social que deu vazão à subgrupos como os nostyle, freakstyle e briófitas
[que analisaremos à fundo em próximos capítulos].
A expressão “infanto-juvenil” por anos foi apropriada por lojas de departamento para dar nome à medida de elementos da moda. Não raro víamos em vitrines anúncios preconizando “coleções infanto-juvenis”, fato que causou extrema revelia dos membros do grupo ainda vagando no anonimato.
Hoje, depois do surgimento de movimentos empenhados na luta pelo reconhecimento da classe, protagonizados pelos grupos “chiquititas” e “amigas y rivales”, a categoria vem ganhando expressão no cenario nacional e além da televisão, na literatura também é possível encontrar o espaço dedicado aos I-J (infant...)
Ex.:
“EVANGELHO EM CASA – Chico Xavier / Meimei
Seção – Infanto-Juvenil
Obra infanto-juvenil em que a autora espiritual, em linguagem doce e cativante, traça roteiros e sugere diretrizes para o Culto do Evangelho no Lar.”
Fonte: www.rumos.com.br
Diferente do que pode parecer, o grupo já figurava entre as tribos urbanas antes mesmo do processo de urbanização. Antes dos anos 80 já havia direcionamento midiático para os pertencents à classe.
Acompanhe:
The Muppet Show (tradução em Portugal: Os Marretas) foi um programa de televisão INFANTO-JUVENIL, cujos personagens eram fantoches, geralmente, com grandes olhos e grandes bocas, produzido por Jim Henson e sua equipe entre 1976 a 1981. Algumas das personagens mais conhecidas são: o Sapo Caco (Cocas) e Miss Piggy.
Nos Estados Unidos ainda é exibido, e suas principais personagens já estrelaram vários filmes. É um dos programas de existência mais duradoura, tendo estreado em 27 de Setembro de 1976.
Os infanto-juvenis habitam a região árida das escolas primárias e ainda é possível encontrar remanescentes da corrente em uiniversidades e inseridos em outros grupos sociais clandestinamente.
Infato-juvenil segundo a 92.ª Edição da Barsa, é todo indivíduo(a) munido de atrofia cerebral no tocante ao desenvolvimento [naipe maturidade] e desprovido de habilidades de interação social com qualquer espécie de progenitor.
Em síntese, infanto-juvenis são a matéria-prima para classes como EMOfílicos, loiras-adolescís, e os populares adultoscomcomplexodepeterpan.
Acompanhe as próximas edições e descubra mais sobre esse peculiar grupo yanomami.
O que estes programas têm em comum?
Infanto-juvenis.
O grupo social que deu vazão à subgrupos como os nostyle, freakstyle e briófitas
[que analisaremos à fundo em próximos capítulos].
A expressão “infanto-juvenil” por anos foi apropriada por lojas de departamento para dar nome à medida de elementos da moda. Não raro víamos em vitrines anúncios preconizando “coleções infanto-juvenis”, fato que causou extrema revelia dos membros do grupo ainda vagando no anonimato.
Hoje, depois do surgimento de movimentos empenhados na luta pelo reconhecimento da classe, protagonizados pelos grupos “chiquititas” e “amigas y rivales”, a categoria vem ganhando expressão no cenario nacional e além da televisão, na literatura também é possível encontrar o espaço dedicado aos I-J (infant...)
Ex.:
“EVANGELHO EM CASA – Chico Xavier / Meimei
Seção – Infanto-Juvenil
Obra infanto-juvenil em que a autora espiritual, em linguagem doce e cativante, traça roteiros e sugere diretrizes para o Culto do Evangelho no Lar.”
Fonte: www.rumos.com.br
Diferente do que pode parecer, o grupo já figurava entre as tribos urbanas antes mesmo do processo de urbanização. Antes dos anos 80 já havia direcionamento midiático para os pertencents à classe.
Acompanhe:
The Muppet Show (tradução em Portugal: Os Marretas) foi um programa de televisão INFANTO-JUVENIL, cujos personagens eram fantoches, geralmente, com grandes olhos e grandes bocas, produzido por Jim Henson e sua equipe entre 1976 a 1981. Algumas das personagens mais conhecidas são: o Sapo Caco (Cocas) e Miss Piggy.
Nos Estados Unidos ainda é exibido, e suas principais personagens já estrelaram vários filmes. É um dos programas de existência mais duradoura, tendo estreado em 27 de Setembro de 1976.
Os infanto-juvenis habitam a região árida das escolas primárias e ainda é possível encontrar remanescentes da corrente em uiniversidades e inseridos em outros grupos sociais clandestinamente.
Infato-juvenil segundo a 92.ª Edição da Barsa, é todo indivíduo(a) munido de atrofia cerebral no tocante ao desenvolvimento [naipe maturidade] e desprovido de habilidades de interação social com qualquer espécie de progenitor.
Em síntese, infanto-juvenis são a matéria-prima para classes como EMOfílicos, loiras-adolescís, e os populares adultoscomcomplexodepeterpan.
Acompanhe as próximas edições e descubra mais sobre esse peculiar grupo yanomami.
20071008
|| Série Tribos Urbanas ||
Imagem acima

A sociedade pós-moderna tem presenteado analistas com anomalias sociais das mais variadas.
Nesta série vamos elencar alguns novos grupos sociais vulgarmente conhecidos como ‘tribos’: briófitas, mancos, famosos de revista, telefonistas, pré-vestibulandos, fetos, idosos entre outros.
No capítulo de hoje conheceremos os novos ícones da habitação terrestre: Idosos.
- O que comem;
- O que vestem;
- Como se comunicam;
Divirta-se:
Superando a etnia Emo, os idosos têm praticado a reprodução via osmose e superado as expectativas dos coladores de adesivo “banco preferencial para analfabetos, mancos e idosos” nos ônibus. A população de idosos representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade (8,6% da população brasileira).
Caracterizados pelo sorriso maroto com vácuos entre dentes, vestidos floridos e relógios de parede nos pulsos, a tribo idosa é sempre cheia de simpatia e flatulência (na maioria das vezes simultaneamente).
Diferente do que muita gente pensa, não existe idade para participar do clã. Em sua maioria o grupo é composto por indivíduos de 65 anos em diante, mas alguns mancebos também têm aderido o visual “retrô” e o vocabulário de gírias característico dos vovôs.
Veja na imagem acima ^
A preocupação dos sociólogos tem sido a alteração que alguns fatores podem trazer pra vida em sociedade como a idéia de nunca mais poder sentar no lotação, o aumento exacerbado de bailes vespertinos, proliferação de furões de fila amparados por lei e principalmente o aumento do IPTU para sustentar a produção em larga escala de fraldas geriátricas fornecidas pelo governo.
Infelizmente os idosos são observados como seres completamente estéreis e que não mais servem para expressar a sua subjetividade. É o que os astrônomos chamam de estigma. Naturalmente o membro da trump idosa, já pesaroso por encontrar-se biologicamente envelhecido, pode sentir-se frustrado por perceber dificuldades para obter destaque em seu grupo social, confundindo-se com a corrente EMOlógica de tribos.
O pioneiro do movimento é Cid Moreira, idoso desde os 13 anos. O fundador da corrente difunde a filosofia idosa em rede nacional e é figura de destaque no cenário de líderes sociais junto com Spider Man, embaixador emo.
Confira a nossa lista de idosos famosos:
- Sandy;
- Roberto Justus;
- Cid Moreira;
- Celso Portioli;
- Vera Fisher;
- Raul Gil;
Outras informações sobre a recém-nascida tribo urbana vc encontra em www.vidaaposamorte.org
Infelizmente os idosos são observados como seres completamente estéreis e que não mais servem para expressar a sua subjetividade. É o que os astrônomos chamam de estigma. Naturalmente o membro da trump idosa, já pesaroso por encontrar-se biologicamente envelhecido, pode sentir-se frustrado por perceber dificuldades para obter destaque em seu grupo social, confundindo-se com a corrente EMOlógica de tribos.
O pioneiro do movimento é Cid Moreira, idoso desde os 13 anos. O fundador da corrente difunde a filosofia idosa em rede nacional e é figura de destaque no cenário de líderes sociais junto com Spider Man, embaixador emo.
Confira a nossa lista de idosos famosos:
- Sandy;
- Roberto Justus;
- Cid Moreira;
- Celso Portioli;
- Vera Fisher;
- Raul Gil;
Outras informações sobre a recém-nascida tribo urbana vc encontra em www.vidaaposamorte.org
20071003
advento dos males del Male
O conceito de virilidade é uma constante na vida de todo garoto. A predominância das pegadinhas envolvendo sexo na pré-adolescência é fato e um belo dia as brincadeiras infantis se acomodam lá no subconsciente e passam de piada de guri pra insegurança de homem.
Impotência Sexual, perda de cabelo, diminuição da massa muscular, queda de apetite sexual. Imagine tudo isso num pacote só. Todos os medos que afligem o subconsciente masculino se reúnem e acometem o meliante numa única pancada. É a Andropausa.
E a culpa é da produção de hormônios. A sistemática é a seguinte: uma glândula do cérebro, a hipófise, libera hormônios que transformam colesterol em testosterona que é a alma do negócio. Depois de muito tempo de uso, já fora da garantia, a transformação de colesterol em testosterona não é mais tão eficaz e é aí é que mora o perigo.
È claro que esse mar de catástrofes não acontece em 15 minutos e nem ao mesmo tempo. É um processo lento e gradual. Cada homem sofre a sintomática de modo diferente. Uns carecas, outros impotentes.
No espectro de sabedoria que pertence a Deus, houve o que chamamos de equilibrium naturalicum. A compensação dos males femininos. Obviamente a senhora que se presta à leitura do artigo não vai disseminar essa piadinha infame já que nesse momento, o apoio do cônjuge é de extrema importância.
Com atenção, diálogo, compreensão, e é claro, com o auxílio de medicamentos os sintomas são amenizados.
Impotência Sexual, perda de cabelo, diminuição da massa muscular, queda de apetite sexual. Imagine tudo isso num pacote só. Todos os medos que afligem o subconsciente masculino se reúnem e acometem o meliante numa única pancada. É a Andropausa.
E a culpa é da produção de hormônios. A sistemática é a seguinte: uma glândula do cérebro, a hipófise, libera hormônios que transformam colesterol em testosterona que é a alma do negócio. Depois de muito tempo de uso, já fora da garantia, a transformação de colesterol em testosterona não é mais tão eficaz e é aí é que mora o perigo.
È claro que esse mar de catástrofes não acontece em 15 minutos e nem ao mesmo tempo. É um processo lento e gradual. Cada homem sofre a sintomática de modo diferente. Uns carecas, outros impotentes.
No espectro de sabedoria que pertence a Deus, houve o que chamamos de equilibrium naturalicum. A compensação dos males femininos. Obviamente a senhora que se presta à leitura do artigo não vai disseminar essa piadinha infame já que nesse momento, o apoio do cônjuge é de extrema importância.
Com atenção, diálogo, compreensão, e é claro, com o auxílio de medicamentos os sintomas são amenizados.
20071002
Falo da vertigem que em toma.
Não como antes,
feito fel de melindres
feito mal descarado.
Falo da vertigem que me toma feito bem
Que aquece aquele frio do vazio de ter que descobrir um mundo sozinha.
Falo da vertigem que me toma
Bem no momento em que seu olho pequeno fica menor com meus guizos infantis, e vc ri...
Falo do opaco que me toma, raciocínio rápido, ligeiro me some
E leva cada bom argumento que ensaiei te pedindo pra ficar
No certo
No seguro
No correto
No calor
Mas o torto, tempestuoso, estranho, incomum
Tão mais atraentes...
Mais atraentes que garota sem segredo...
Que menina sem idade.
Falo do desejo [incontrolável] que me toma
De descobrir cada ‘vc’ que há pra descobrir;
Até esses aí que nem vc sabe quem são...
Pretensão minha
Eu que tenho tão pouco...
Tão pouco...
E o pouco, quase nada quase some
Quando seu olho miúdo me aparece e me ri sacudindo a fagulha de tentar que sobrou aqui dentro.
E aquele pacote grande de argumentos torpes que a sagacidade me soprou virou pacotinho quando a tal fagulha enrubesceu de vergonha da minha pequenez
Aí me sobra esse quase nada que sei
Com o quase tudo que ainda há pra descobrir e o quase sempre que não temos...
Te ofereço o quase nada que sei somado ao seu e o mundo que hgá pra descobrir aí dentro, que talvez, só quem não saiba quase nada tenha fôlego pra descobrir.
E que essas duas décadas, as nossas, sejam de descoberta pq talvez esse simples,
Esse pouco,
Esse quase nada que ofereço
Não seja assim tão pouco comparado ao pouco que se descobre ao lado de outro que tanto já descobriu.
Então tenta.
Tenta comigo o muito que ainda há pra tentar e o tanto que ainda há pra descobrir ao lado de quem sabe tão pouco e de quem ama tão muito .
E desiste tão nunca.
Não como antes,
feito fel de melindres
feito mal descarado.
Falo da vertigem que me toma feito bem
Que aquece aquele frio do vazio de ter que descobrir um mundo sozinha.
Falo da vertigem que me toma
Bem no momento em que seu olho pequeno fica menor com meus guizos infantis, e vc ri...
Falo do opaco que me toma, raciocínio rápido, ligeiro me some
E leva cada bom argumento que ensaiei te pedindo pra ficar
No certo
No seguro
No correto
No calor
Mas o torto, tempestuoso, estranho, incomum
Tão mais atraentes...
Mais atraentes que garota sem segredo...
Que menina sem idade.
Falo do desejo [incontrolável] que me toma
De descobrir cada ‘vc’ que há pra descobrir;
Até esses aí que nem vc sabe quem são...
Pretensão minha
Eu que tenho tão pouco...
Tão pouco...
E o pouco, quase nada quase some
Quando seu olho miúdo me aparece e me ri sacudindo a fagulha de tentar que sobrou aqui dentro.
E aquele pacote grande de argumentos torpes que a sagacidade me soprou virou pacotinho quando a tal fagulha enrubesceu de vergonha da minha pequenez
Aí me sobra esse quase nada que sei
Com o quase tudo que ainda há pra descobrir e o quase sempre que não temos...
Te ofereço o quase nada que sei somado ao seu e o mundo que hgá pra descobrir aí dentro, que talvez, só quem não saiba quase nada tenha fôlego pra descobrir.
E que essas duas décadas, as nossas, sejam de descoberta pq talvez esse simples,
Esse pouco,
Esse quase nada que ofereço
Não seja assim tão pouco comparado ao pouco que se descobre ao lado de outro que tanto já descobriu.
Então tenta.
Tenta comigo o muito que ainda há pra tentar e o tanto que ainda há pra descobrir ao lado de quem sabe tão pouco e de quem ama tão muito .
E desiste tão nunca.
20070928
for.us
Pros céus
A simplicidade da vidinha cristianicamente sedada que levo
Leva todos os dias um choque novo dessa juventude que me fere a retina
E meu contato contigo, Senhor
Vira relacionamento de verdade
De gente de verdade
E a verdade que eu tinha _ em que eu acreditava _ vai virando mentira
Ou parecendo mentira, ainda que verdade
Minha cabeça dói uma dor estranha
Meus olhos queimam no meio do que eu pensei ser iniqüidade e já nem sei mais...
E meus dedos vão dançando no papel num vômito de crise feito gorfo de criança escorrendo nos valores que eu nem sei se são mesmo meus
E nem precisam ser meus. Quero mesmo é que sejam Seus, que são valores.
De verdade.
Então só aponte com o dedo o lado pra eu poder seguir ou faça assim com o queixo pra qualquer lado, só eu saber que lado. Ou sente aqui do meu lado...
.....
Pra você
E aquele a quem dedico tanto amor de “cantares” bíblicos,
Em quem me vejo em pedacinhos
Pra quem eu dedico as palavras com calor
_pq as frias são pro resto do mundo. As que contêm calor são suas. As que me contém são suas_
é uma saleta escura que eu vou tateando sem saber o “quê”
No meio de tropeços e pancadas não encontro a porcaria do interruptor e minha retina não dilata o suficiente pra te ver por inteiro.
Então tenho que juntar as partes que consigo sentir nas mãos e me assusto tanto, e me envolvo tanto...
e quero mais.
A simplicidade da vidinha cristianicamente sedada que levo
Leva todos os dias um choque novo dessa juventude que me fere a retina
E meu contato contigo, Senhor
Vira relacionamento de verdade
De gente de verdade
E a verdade que eu tinha _ em que eu acreditava _ vai virando mentira
Ou parecendo mentira, ainda que verdade
Minha cabeça dói uma dor estranha
Meus olhos queimam no meio do que eu pensei ser iniqüidade e já nem sei mais...
E meus dedos vão dançando no papel num vômito de crise feito gorfo de criança escorrendo nos valores que eu nem sei se são mesmo meus
E nem precisam ser meus. Quero mesmo é que sejam Seus, que são valores.
De verdade.
Então só aponte com o dedo o lado pra eu poder seguir ou faça assim com o queixo pra qualquer lado, só eu saber que lado. Ou sente aqui do meu lado...
.....
Pra você
E aquele a quem dedico tanto amor de “cantares” bíblicos,
Em quem me vejo em pedacinhos
Pra quem eu dedico as palavras com calor
_pq as frias são pro resto do mundo. As que contêm calor são suas. As que me contém são suas_
é uma saleta escura que eu vou tateando sem saber o “quê”
No meio de tropeços e pancadas não encontro a porcaria do interruptor e minha retina não dilata o suficiente pra te ver por inteiro.
Então tenho que juntar as partes que consigo sentir nas mãos e me assusto tanto, e me envolvo tanto...
e quero mais.
bissexualidade: a profecia
Tudo bem que os pioneiros na inversão de papéis masculinos e femininos são os índios - todo mundo faz balaio e o papel do agricultor é feminino - mas na sociedade moderna, onde mulher está para fogão bem como homem está para mecânica, a inversão de papéis virou moda.
Se Aristóteles pudesse meter o bedelho lembraria que o homem é um ser social, portanto, antes mesmo dos índios, quando a maior parte de nós ainda nem tinha saído da Mesopotâmia, os gêneros já eram lapidados pela vida em sociedade. A concentração que o homem dedica à rodada de futebol nas quartas-feiras ou às reuniões de negócios é compatível com a concentração que precisava dedicar à captura da caça e à proteção do lar. E para dar conta de velhos, crianças, agricultura, artesanato e o que mais viesse, a mulher precisou desenvolver a capacidade de lidar com várias situações de tensão simultaneamente. Enfim, testosterona e estrogênio eram produzidos em larga escala para dar conta das tarefas.
A gente já não vê mais gente caçando porco selvagem nem aldeias cujas administradoras diplomáticas sejam mulheres. Mesmo que a essência dos papéis masculino e feminino ainda permaneça, a intensidade diminuiu. Quem caça e quem cuida da casa são que já não estão mais tão delimitadas quanto há alguns séculos.
E essa alteração é o ponta-pé inicial da tese de Umberto Veronesi, médico e ex-ministro da Saúde na Itália, que consiste na seguinte profecia: a espécie humana caminha a passos largos para o bissexualismo.
Wikipédia mãe dos néscios define bissexualidade como “atração fisica, emocional e espiritual por pessoas tanto do mesmo sexo como do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual” e o esclarecimento não é por se tratar de novidade não. Só não somos todos bissexuais desde os primóridios por causa da necessidade de reproduzir, e os relacionamentos na roma antiga ratificam a afirmação. Amor de verdade era coisa de homem. Só de homem. A mulher era a coelhinha - Não. Essa da playboy não - da reprodução.
Filipo Melo, um dos colunistas do Mix Brasil, site alusivo às causas homossexuais, é menos pragmático: "Ser bissexual é como ser um duende. Ninguém acredita que existe, nenhum dos dois lados te respeita, os dois te olham desconfiados. Só que não tem pote de ouro no fim do arco-íris."
Mesmo com a impopularidade de duendes e de bissexualismo generalizado, o médico Veronesi ainda discursa sobre o resultado da evolução natural das espécies. O homem abandona as características que lhe cabiam nos primórdios – leia-se caçador, líder, mantenedor do lar, e nas palavras do doutor transforma-se numa “figura sexualmente ambígua”.
O homem caçador lá da Mesopotâmia não precisa mais de uma intensa agressividade física para sobreviver e as mulheres já não produzem tantos hormônios até porque relações sexuais para reprodução dão lugar a barrigas de aluguel e inseminações artificiais. A menor produção de hormônios acabaria atrofiando os órgãos reprodutivos e criando uma espécie de "preguiça reprodutiva" e no fim das contas, nos tornaremos um modelo único, onde a relação sexual será optativa e independente de gênero. Em suma, seremos abelhas: a maior parte seria praticamente assexuada e só uma pequena parte se dedicaria à reprodução.
uhuuul!
\o/
Se Aristóteles pudesse meter o bedelho lembraria que o homem é um ser social, portanto, antes mesmo dos índios, quando a maior parte de nós ainda nem tinha saído da Mesopotâmia, os gêneros já eram lapidados pela vida em sociedade. A concentração que o homem dedica à rodada de futebol nas quartas-feiras ou às reuniões de negócios é compatível com a concentração que precisava dedicar à captura da caça e à proteção do lar. E para dar conta de velhos, crianças, agricultura, artesanato e o que mais viesse, a mulher precisou desenvolver a capacidade de lidar com várias situações de tensão simultaneamente. Enfim, testosterona e estrogênio eram produzidos em larga escala para dar conta das tarefas.
A gente já não vê mais gente caçando porco selvagem nem aldeias cujas administradoras diplomáticas sejam mulheres. Mesmo que a essência dos papéis masculino e feminino ainda permaneça, a intensidade diminuiu. Quem caça e quem cuida da casa são que já não estão mais tão delimitadas quanto há alguns séculos.
E essa alteração é o ponta-pé inicial da tese de Umberto Veronesi, médico e ex-ministro da Saúde na Itália, que consiste na seguinte profecia: a espécie humana caminha a passos largos para o bissexualismo.
Wikipédia mãe dos néscios define bissexualidade como “atração fisica, emocional e espiritual por pessoas tanto do mesmo sexo como do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual” e o esclarecimento não é por se tratar de novidade não. Só não somos todos bissexuais desde os primóridios por causa da necessidade de reproduzir, e os relacionamentos na roma antiga ratificam a afirmação. Amor de verdade era coisa de homem. Só de homem. A mulher era a coelhinha - Não. Essa da playboy não - da reprodução.
Filipo Melo, um dos colunistas do Mix Brasil, site alusivo às causas homossexuais, é menos pragmático: "Ser bissexual é como ser um duende. Ninguém acredita que existe, nenhum dos dois lados te respeita, os dois te olham desconfiados. Só que não tem pote de ouro no fim do arco-íris."
Mesmo com a impopularidade de duendes e de bissexualismo generalizado, o médico Veronesi ainda discursa sobre o resultado da evolução natural das espécies. O homem abandona as características que lhe cabiam nos primórdios – leia-se caçador, líder, mantenedor do lar, e nas palavras do doutor transforma-se numa “figura sexualmente ambígua”.
O homem caçador lá da Mesopotâmia não precisa mais de uma intensa agressividade física para sobreviver e as mulheres já não produzem tantos hormônios até porque relações sexuais para reprodução dão lugar a barrigas de aluguel e inseminações artificiais. A menor produção de hormônios acabaria atrofiando os órgãos reprodutivos e criando uma espécie de "preguiça reprodutiva" e no fim das contas, nos tornaremos um modelo único, onde a relação sexual será optativa e independente de gênero. Em suma, seremos abelhas: a maior parte seria praticamente assexuada e só uma pequena parte se dedicaria à reprodução.
uhuuul!
\o/
20070926
"amigapacaramba"
Num desses almoços onde se contam piadas e peripécias amorosas, eu e quatro amigas gargalhávamos de chorar [possivelmente motivadas pelos degetos químicos na comida universitária] - Das quatro, para melhor compreensão do causo, traço um perfil físico, que éo mais relevante agora.
A primeira delas veste 34 e deve ter descendência europeia: cabelo liso + nariz afilado.
As outras duas não fogem do formato com variações de tamanho de nariz, dentes e tals...
Eu, míope, afro-descendente, e dando alguns pulos, entro no meu jeans 38. Ok. A última na descrição foge um pouco dos padrões graças à massa adiposa e aos olhos abundantemente verdes. Também affrodescendete. Mas, o que fica, apesar do verde dos olhos e da pele boa, é aquele inferno de gordura que todo mundo tenta se livrar. E pra facilitar, vou dar números aos personagens, ok? Eu sou eu, as donas dos narizes afilados, cabelos maleáveis e dentro do peso médio são 2 e 3. Nossa protagonista, com massa adiposa a mais que as três primeiras, é 7.
Falar abertamente sobre obesidade é crime, principalmente com quem padece do mal. Digo “padece” e “mal” pelos malefícios à saúde – que fique claro e o relato dem a ver com isso.
O que me encafifou a ponto de escrever sobre isso foi o comportamento do grupo no momento “peripécias amorosas”. Eu, 2, 3 e 7 rimos como nunca na semana. E o papo descambou para sucessos e insucessos amorosos. Foi quando cada uma de nós compartilhou, ainda que sem citar nomes, da dor que nos afligia no momento.
>Eu falei sobre meu afer por caras mega-complexos-de-difícil-compreensão;
>garota n.º2 contou dos “ex” e de como eles adquiriram o título de “ex” [o que é sempre uma história interessante!]
>n.º 3 discorreu sobre suas confusões com os vários possíveis garotos-afer e aí é legal pq a gente pode ajudar a escolher um.
Quando foi a vez da n.º 7 contar suas “ficadas”, os olhares foram de descrédito, já que a gente vive numa sociedade de merdinha em que a idéia vendida é que pra ser amado a gente tem que vestir jeans 36.
O que me confunde é que essa coisa de ficar surpreso com a gordinha que pega os caras na moral é que com aquelas que se entregam à crises de baixa auto-estima a gente conversa sobre se aceitar, sobre viver bem e discursa: “mas vc é linda! Só vc que não vê!”
Muito bom. Amiga é pra isso mesmo. Mas aí, quando a coisa tá bem a gente acha que é segunrança demais pra quem foge dos padrões porcos de beleza? É problema não ser inseguro mesmo não sendo Naomi Campbell?
Ah vá!
A primeira delas veste 34 e deve ter descendência europeia: cabelo liso + nariz afilado.
As outras duas não fogem do formato com variações de tamanho de nariz, dentes e tals...
Eu, míope, afro-descendente, e dando alguns pulos, entro no meu jeans 38. Ok. A última na descrição foge um pouco dos padrões graças à massa adiposa e aos olhos abundantemente verdes. Também affrodescendete. Mas, o que fica, apesar do verde dos olhos e da pele boa, é aquele inferno de gordura que todo mundo tenta se livrar. E pra facilitar, vou dar números aos personagens, ok? Eu sou eu, as donas dos narizes afilados, cabelos maleáveis e dentro do peso médio são 2 e 3. Nossa protagonista, com massa adiposa a mais que as três primeiras, é 7.
Falar abertamente sobre obesidade é crime, principalmente com quem padece do mal. Digo “padece” e “mal” pelos malefícios à saúde – que fique claro e o relato dem a ver com isso.
O que me encafifou a ponto de escrever sobre isso foi o comportamento do grupo no momento “peripécias amorosas”. Eu, 2, 3 e 7 rimos como nunca na semana. E o papo descambou para sucessos e insucessos amorosos. Foi quando cada uma de nós compartilhou, ainda que sem citar nomes, da dor que nos afligia no momento.
>Eu falei sobre meu afer por caras mega-complexos-de-difícil-compreensão;
>garota n.º2 contou dos “ex” e de como eles adquiriram o título de “ex” [o que é sempre uma história interessante!]
>n.º 3 discorreu sobre suas confusões com os vários possíveis garotos-afer e aí é legal pq a gente pode ajudar a escolher um.
Quando foi a vez da n.º 7 contar suas “ficadas”, os olhares foram de descrédito, já que a gente vive numa sociedade de merdinha em que a idéia vendida é que pra ser amado a gente tem que vestir jeans 36.
O que me confunde é que essa coisa de ficar surpreso com a gordinha que pega os caras na moral é que com aquelas que se entregam à crises de baixa auto-estima a gente conversa sobre se aceitar, sobre viver bem e discursa: “mas vc é linda! Só vc que não vê!”
Muito bom. Amiga é pra isso mesmo. Mas aí, quando a coisa tá bem a gente acha que é segunrança demais pra quem foge dos padrões porcos de beleza? É problema não ser inseguro mesmo não sendo Naomi Campbell?
Ah vá!
20070723
pequena cusparada
ai que bobeira ficar fazendo crise virar verso.
que besteira pensar que rimar frasesinha e escrever sintilando vai fazer isso tudo que a gente sente ficar em http//:
que bobeirinha pensar que pular linha sem pontuação
assim
desse
jeito
pode sublimar o que a gente cospe.
no banheiro a gente senta igual
e na mesa come igual
e dorme igual
aí aprende a dispor verbo em prosa e se acha dono de tanta coisa....
blogosando por aí a gente vai vendo mil verdades e mil coisas facinhas facinhas...
dá uma preguiça doida de transformar sentimento em verson qndo o verso é de raiva, né?
a gente perde o dom. perde o punho. eu perco. fico suja e porquinha.
o legal disso tudo é que não importa o monte de abobrinha que a gente escreve, vai ficar. pra posteridade.
e esse cheiro de moleca que não me larga. quero ter odor de mulher.
quero ter cheirinho de velha.
e perder essa cara de 10.
qualquer acréscimo para tanto é muito bem vindo.
que besteira pensar que rimar frasesinha e escrever sintilando vai fazer isso tudo que a gente sente ficar em http//:
que bobeirinha pensar que pular linha sem pontuação
assim
desse
jeito
pode sublimar o que a gente cospe.
no banheiro a gente senta igual
e na mesa come igual
e dorme igual
aí aprende a dispor verbo em prosa e se acha dono de tanta coisa....
blogosando por aí a gente vai vendo mil verdades e mil coisas facinhas facinhas...
dá uma preguiça doida de transformar sentimento em verson qndo o verso é de raiva, né?
a gente perde o dom. perde o punho. eu perco. fico suja e porquinha.
o legal disso tudo é que não importa o monte de abobrinha que a gente escreve, vai ficar. pra posteridade.
e esse cheiro de moleca que não me larga. quero ter odor de mulher.
quero ter cheirinho de velha.
e perder essa cara de 10.
qualquer acréscimo para tanto é muito bem vindo.
20070619
irmã.
o tilintar dos seus desejos vão crescendo e me tomando os olhos...
o sibilar desse seu adolescer me infla de orgulho todas as manhãs
assisto seus "doeres", desempenhos, desamores
flutuando num vidrinho onde te guardo e vou olhando até não mais poder
te cuidando até não poder mais
sua feitura, seu feitio
seu formato, seu modelo
sua alma, seu caráter e toda essa coisinha que você é
tem uma cor... é de um sabor que me comove
e mal me caibo tamanho o orgulho de te ver crescer
te bato e beijo
te brigo e deixo
te esqueço te aqueço
e daria todas as vidas minhas em troca de uma sua.
me enterneço e entorpeço
só de ouvir teus sonhos
de te ver com livros
de te ver ao alcançe das mãos
temo quando a juventude vier te levar embora
temo quando o vidrinho onde te guardo não puder mais te conter
temo não suportar a dor de te entregar ao mundo.
seu perfil de perfeição eu não teria mais,
nem seu cheirinho de guardado
nem seu jeito folgado de esquecer, quebrar, estragar
meus dedos se atropelam bem agora que tento transpor o tamanho do amor que te tenho
é mais que palavra,
mais que verso antiquado de amor
dou meu futuro, meus planos, meus seres e eres e ires...
por você
pra você
a seu favor
em seu favor
é tanto amor... mal me contenho
enquanto puder, te retenho no vidrinho flutuando pra mim
aqui no meu nariz
te observando colher cada pedaço de mundo
te ver no deslumbre do descobrir, desvendar
e te amando, cuidando, ensinando...
pra quando meu vidro não mais te conter
quando meu olho não mais te cobrir
pra quando você for embora,
pra você saber voar...
o sibilar desse seu adolescer me infla de orgulho todas as manhãs
assisto seus "doeres", desempenhos, desamores
flutuando num vidrinho onde te guardo e vou olhando até não mais poder
te cuidando até não poder mais
sua feitura, seu feitio
seu formato, seu modelo
sua alma, seu caráter e toda essa coisinha que você é
tem uma cor... é de um sabor que me comove
e mal me caibo tamanho o orgulho de te ver crescer
te bato e beijo
te brigo e deixo
te esqueço te aqueço
e daria todas as vidas minhas em troca de uma sua.
me enterneço e entorpeço
só de ouvir teus sonhos
de te ver com livros
de te ver ao alcançe das mãos
temo quando a juventude vier te levar embora
temo quando o vidrinho onde te guardo não puder mais te conter
temo não suportar a dor de te entregar ao mundo.
seu perfil de perfeição eu não teria mais,
nem seu cheirinho de guardado
nem seu jeito folgado de esquecer, quebrar, estragar
meus dedos se atropelam bem agora que tento transpor o tamanho do amor que te tenho
é mais que palavra,
mais que verso antiquado de amor
dou meu futuro, meus planos, meus seres e eres e ires...
por você
pra você
a seu favor
em seu favor
é tanto amor... mal me contenho
enquanto puder, te retenho no vidrinho flutuando pra mim
aqui no meu nariz
te observando colher cada pedaço de mundo
te ver no deslumbre do descobrir, desvendar
e te amando, cuidando, ensinando...
pra quando meu vidro não mais te conter
quando meu olho não mais te cobrir
pra quando você for embora,
pra você saber voar...
20070607
consulta, vertigem, consulta
> vertigem:
finjo pra mim que pareço novela
e que alegrias... as tenho aos montes.
me finjo certa.
aí entro e fecho a porta
então o dom artístico aflora.
dom de fingir.
até dói porque a falta de talento é tanta que vão os dias até que a frase me venha
com a dor vem a vertigem.
a escondo - me machuca.
as coisas se movem.
meus olhos vão fechando, fechando...
olho pros olhos iguais aos do Judas, aquele primôr do falsete falsário.
e são os meus
esses frígidos, fingidos e cheios de sono
que vejo e confundo com os gananciosos e confusos olhos do jovem Judas
assassinado pela autocomiseração. e fico a pés do chão.
e penso em Judas, peno nos olhos.
mal penso.
> a consulta:
Dias desses vinte anos de tanto fingimento serviram para lapidar as virtudes da dramaturgia que desenvolvo sorrindo aos quatro ventos.
aí vem a vertigem e me confunde. tanto sono... tanto Judas...
agora no consultório.
No diagnóstico, aquele em que vou precisar ter breve conversinha com o neuropsiquiatra, me assusto.
alguém me viu.
ela me viu.
Doutorazinha esperta.
a vbertigem foi que me despiu e lá dentro, no consultório, ela me viu.
não pude fingir, não pude sorrir.
antes que eu tivesse a chance de voltar a interpretar a bruaca da médica já tinha a receita na mão e o princípio de depressão.
Me vi ali pequena e burra a ponto de não pdoer levantar.
ela me viu zonza, com olhos de sono, boca rachada e seca.
me viu consada, pálida, ébria, triste.
talvez não tenha visto o Judas em meus olhos, mas viu demais.
é o que ela quer que o tal neuroqualquercoisa veja!
o que não imaginam,nem ele nem ela é a surpresa que preparei!
meu melhor sorriso. meu melhor discurso.
um sorrir daqueles que vão abrindo devagarinho e falo apenas de dores no cortex. De resto, finjo.
Só preciso fazer votos para que não me venha. não me sobrevenha.
Preciso torcer para que não me aflija a vertigem - essa nem foi diagnosticada. uma lástima.
é maior que eu e quando me acontece, vem a autocomiseração. a arte da autocomiseração.
> a autocomiseração:
mais fácil do que possa parecer, basta ser franco.
não franco como sua mãe seria.
franco.
comigo funciona bem
em cada pedaço de carne que sustenta meus ossinhos pequenos posso ver um pedaço de vida em que cuspi fazendo a escolha errada, como Judas.
Elas me pareciam tão certas...
e sendo franca, pareciam porque sou cega.
agora é aguardar o proximo surto e a próxima consulta.
neuropsiquiatra. aguarde.
Preciso torcer para que não me aflija a vertigem - essa nem foi diagnosticada. uma lástima.
caso venha a vertigem... aí ferrou. vix, ferrou.
finjo pra mim que pareço novela
e que alegrias... as tenho aos montes.
me finjo certa.
aí entro e fecho a porta
então o dom artístico aflora.
dom de fingir.
até dói porque a falta de talento é tanta que vão os dias até que a frase me venha
com a dor vem a vertigem.
a escondo - me machuca.
as coisas se movem.
meus olhos vão fechando, fechando...
olho pros olhos iguais aos do Judas, aquele primôr do falsete falsário.
e são os meus
esses frígidos, fingidos e cheios de sono
que vejo e confundo com os gananciosos e confusos olhos do jovem Judas
assassinado pela autocomiseração. e fico a pés do chão.
e penso em Judas, peno nos olhos.
mal penso.
> a consulta:
Dias desses vinte anos de tanto fingimento serviram para lapidar as virtudes da dramaturgia que desenvolvo sorrindo aos quatro ventos.
aí vem a vertigem e me confunde. tanto sono... tanto Judas...
agora no consultório.
No diagnóstico, aquele em que vou precisar ter breve conversinha com o neuropsiquiatra, me assusto.
alguém me viu.
ela me viu.
Doutorazinha esperta.
a vbertigem foi que me despiu e lá dentro, no consultório, ela me viu.
não pude fingir, não pude sorrir.
antes que eu tivesse a chance de voltar a interpretar a bruaca da médica já tinha a receita na mão e o princípio de depressão.
Me vi ali pequena e burra a ponto de não pdoer levantar.
ela me viu zonza, com olhos de sono, boca rachada e seca.
me viu consada, pálida, ébria, triste.
talvez não tenha visto o Judas em meus olhos, mas viu demais.
é o que ela quer que o tal neuroqualquercoisa veja!
o que não imaginam,nem ele nem ela é a surpresa que preparei!
meu melhor sorriso. meu melhor discurso.
um sorrir daqueles que vão abrindo devagarinho e falo apenas de dores no cortex. De resto, finjo.
Só preciso fazer votos para que não me venha. não me sobrevenha.
Preciso torcer para que não me aflija a vertigem - essa nem foi diagnosticada. uma lástima.
é maior que eu e quando me acontece, vem a autocomiseração. a arte da autocomiseração.
> a autocomiseração:
mais fácil do que possa parecer, basta ser franco.
não franco como sua mãe seria.
franco.
comigo funciona bem
em cada pedaço de carne que sustenta meus ossinhos pequenos posso ver um pedaço de vida em que cuspi fazendo a escolha errada, como Judas.
Elas me pareciam tão certas...
e sendo franca, pareciam porque sou cega.
agora é aguardar o proximo surto e a próxima consulta.
neuropsiquiatra. aguarde.
Preciso torcer para que não me aflija a vertigem - essa nem foi diagnosticada. uma lástima.
caso venha a vertigem... aí ferrou. vix, ferrou.
20070527
tenta o quê;
às favas com o mentecapto que me inventou a porcaria da tentativa.
Vá enfiar-se no longe e enfie a tentativa no lá também.
A não ser que prefira ser mártir da causa
Caso queira avise que te enforco nas tuas próprias cordas de adestrar pobre.
Esse sentir insepulto só não morre por culpa tua
Infeliz
Me inventa a coisa de ‘tentar’
E é tentando que a gente se explode
Tenta, tenta e morre um pouco de quando em quando.
Obviamente tanta tentativa tem tanto teor de derrota que vira tédio.
Que espera alcança espera sempre alcança espera e alcança...
Espera o teu nariz!
Que ânça mané ânça.
Vai você e leva o alcança contigo.
Batidos os dois.
Perdi a diplomacia na última das tentativas logo ali no último quarteirão.
Meu peito é o que fere
Minha cara é a que quebra
Meu corpo é o que padece
Tentei e cá estou.
Tentando.
Tento tanta coisa que esqueço tantas outras.
Dá errado e o que dizem? “vai, leso. Continua tentando”.
Farta.
Farta. Não há mais por onde e não há mais em onde.
bater
esfolar
me auto esfolo todo dia nessa coisa de tentar e tentar.
cansada.
chega de tentar.
chega.
tenta você;
que agora eu toh tentando não tentar mais
essa coisa de tentar.
Vicia a gente né?
Pois bem
Tento todo dia esquecer que tenho amor
Tento lembrar tudo de débito tudo de crédito
Tento perder todo o medo
Tento ficar acordada.
Tento e só tento mesmo porque aquela coisa do ‘consegue’ ta longe, amigo.
É.
Lhe digo.
Ta longe.
Ta vendo? Tenta.
Vá enfiar-se no longe e enfie a tentativa no lá também.
A não ser que prefira ser mártir da causa
Caso queira avise que te enforco nas tuas próprias cordas de adestrar pobre.
Esse sentir insepulto só não morre por culpa tua
Infeliz
Me inventa a coisa de ‘tentar’
E é tentando que a gente se explode
Tenta, tenta e morre um pouco de quando em quando.
Obviamente tanta tentativa tem tanto teor de derrota que vira tédio.
Que espera alcança espera sempre alcança espera e alcança...
Espera o teu nariz!
Que ânça mané ânça.
Vai você e leva o alcança contigo.
Batidos os dois.
Perdi a diplomacia na última das tentativas logo ali no último quarteirão.
Meu peito é o que fere
Minha cara é a que quebra
Meu corpo é o que padece
Tentei e cá estou.
Tentando.
Tento tanta coisa que esqueço tantas outras.
Dá errado e o que dizem? “vai, leso. Continua tentando”.
Farta.
Farta. Não há mais por onde e não há mais em onde.
bater
esfolar
me auto esfolo todo dia nessa coisa de tentar e tentar.
cansada.
chega de tentar.
chega.
tenta você;
que agora eu toh tentando não tentar mais
essa coisa de tentar.
Vicia a gente né?
Pois bem
Tento todo dia esquecer que tenho amor
Tento lembrar tudo de débito tudo de crédito
Tento perder todo o medo
Tento ficar acordada.
Tento e só tento mesmo porque aquela coisa do ‘consegue’ ta longe, amigo.
É.
Lhe digo.
Ta longe.
Ta vendo? Tenta.
20070522
a mim. aos vinte.
Enquanto os pés semi-tocam sonho
Enquanto as mãos semi-sentem nuvem
Tempo é quem não me espera.
Agouro de mim pra mim.
E quase que te enxergo dentro
E quase que te sinto dentro
E semi-posso entrar.
Semi porque não toco sonho
Semi porque não sinto nuvem
Quase porque tento tanto...
E o que era logro
É hoje jogo (que sempre perco)
E o que era escambo
É hoje assalto (que sempre sofro)
Plenos pulmões grito – espera!
E desde 80 quando mal comecei, esse tempo descortês só me apetece
E me tira o pouco que a custo juntei pedaço por pedaço
E as peripécias da velhice me roubam cada estilhaço de ignorância que guardava pra perder por hoje, mas aos 15 já não a tinha mais...
E agonizo nos verbetes
Perversos que me enganam
Fingem pra mim que sou livre por escrever,
Que sou forte por agüentar.
Falsa farsa
Fel enganador
Que tomo aos goles todo dia pra acordar e ver longe o tal sonho
Nuvem
Amor
Ah e este último merece a linha inteira
Até essa aqui também.
E essa. esmorece a paciência da mais alta divindade
A gente aguarda, ouve, chora e doa.
Aí é promovido. Vira amigo.
Inferno.
Amigo o raio que o parta.
E a porcaria do tempo escoa.
Duas dezenas.
Duas décadas.
Espero feito areia
Aquela inerte esperando o sal da água verde do oceano lhe gracejar a vida
E o desatino de molhar o amor pra ver crescer é que me corto e ponho sal pra arder.
Talvez eu seja areia ferida e o mar salgado bule comigo
E me escapa o ar lamurioso, bem grito mesmo.
Sal na ferida.
Tempo é quem não me espera
E achava ruim. Mesmo. Aí vomito o pior.
Tempo é quem vai apagar cada firula que te fiz,
E cada acréscimo que te dei
E cada verso que te escrevo
E cada “eu” que te doei.
Aí não toco sonho nenhum
E a merda da nuvem
A queda não me amortece.
O olho é que se enternece
Vendo o que me fiz até aqui.
Vendo o que fiz. o que. que. nada.
Aí digo “semi-toco sonho”
Pra fingir que “semi” me faz perto de tocá-lo.
Enquanto as mãos semi-sentem nuvem
Tempo é quem não me espera.
Agouro de mim pra mim.
E quase que te enxergo dentro
E quase que te sinto dentro
E semi-posso entrar.
Semi porque não toco sonho
Semi porque não sinto nuvem
Quase porque tento tanto...
E o que era logro
É hoje jogo (que sempre perco)
E o que era escambo
É hoje assalto (que sempre sofro)
Plenos pulmões grito – espera!
E desde 80 quando mal comecei, esse tempo descortês só me apetece
E me tira o pouco que a custo juntei pedaço por pedaço
E as peripécias da velhice me roubam cada estilhaço de ignorância que guardava pra perder por hoje, mas aos 15 já não a tinha mais...
E agonizo nos verbetes
Perversos que me enganam
Fingem pra mim que sou livre por escrever,
Que sou forte por agüentar.
Falsa farsa
Fel enganador
Que tomo aos goles todo dia pra acordar e ver longe o tal sonho
Nuvem
Amor
Ah e este último merece a linha inteira
Até essa aqui também.
E essa. esmorece a paciência da mais alta divindade
A gente aguarda, ouve, chora e doa.
Aí é promovido. Vira amigo.
Inferno.
Amigo o raio que o parta.
E a porcaria do tempo escoa.
Duas dezenas.
Duas décadas.
Espero feito areia
Aquela inerte esperando o sal da água verde do oceano lhe gracejar a vida
E o desatino de molhar o amor pra ver crescer é que me corto e ponho sal pra arder.
Talvez eu seja areia ferida e o mar salgado bule comigo
E me escapa o ar lamurioso, bem grito mesmo.
Sal na ferida.
Tempo é quem não me espera
E achava ruim. Mesmo. Aí vomito o pior.
Tempo é quem vai apagar cada firula que te fiz,
E cada acréscimo que te dei
E cada verso que te escrevo
E cada “eu” que te doei.
Aí não toco sonho nenhum
E a merda da nuvem
A queda não me amortece.
O olho é que se enternece
Vendo o que me fiz até aqui.
Vendo o que fiz. o que. que. nada.
Aí digo “semi-toco sonho”
Pra fingir que “semi” me faz perto de tocá-lo.
20070520
às escondidas
então entra.
pode entrar.
entra, mas aqui no fundo.
entra na porta de trás.
não quero que nos vejam.
entra, eu disse!
pode entrar!
entra e fecha logo a porta.
fale baixo. sabe sussurrar?
melhor. não fale.
nem fale.
não quero que nos ouçam.
melhor! MELHOR!
me escreva!
isso!
conte-me tudo!
conte-me mais!
somos amigos, não?
sejamos amigos!
mas, aqui no fundo.
aqui no fundo
aliás, nem precisa vir.
me escreva.
se quiser...
pode vir.
venha.
fique um pouco.
avise e te espero.
aqui atrás.
venha na noite.
não quero que nos notem.
mas venha.
entra, senta.
espera, fica.
fica um pouco.
um pouco.
um
pouco.
só.
pode entrar.
entra, mas aqui no fundo.
entra na porta de trás.
não quero que nos vejam.
entra, eu disse!
pode entrar!
entra e fecha logo a porta.
fale baixo. sabe sussurrar?
melhor. não fale.
nem fale.
não quero que nos ouçam.
melhor! MELHOR!
me escreva!
isso!
conte-me tudo!
conte-me mais!
somos amigos, não?
sejamos amigos!
mas, aqui no fundo.
aqui no fundo
aliás, nem precisa vir.
me escreva.
se quiser...
pode vir.
venha.
fique um pouco.
avise e te espero.
aqui atrás.
venha na noite.
não quero que nos notem.
mas venha.
entra, senta.
espera, fica.
fica um pouco.
um pouco.
um
pouco.
só.
20070513
Moribunda - depoimento
Depois de "mal bom", sucesso laboratorial, hei de alertar o leitor amigo a respeito da enfermidade oxidante que despluma, despolpa, desnuda, destudo.
este entretanto, tomo como estudo de caso em depoimento particular.
acompanhe:
- até parece que o copéde por quem tomei amor não é quimera sibilante de momento...
sei que é. é que esqueço...
é fábula, historieta.
o duro é que é gangrena tal qual fosse real.
queria que fosse.
sabe-se que na inocação (repare no nome de doença. típico) deve haver o mancebo que provoque os primeiros sinais do padecer.
vem afinidade em intelecto.
música, livro, som. aí então é movediço.
as mariposas dançam acima da bexiga ou nela mesmo.
os olhos tomam forma inflamável. corpo vira ar e a vida que antes era boa fica vazia e depois boa de novo.
e a quem atribui-se o novo preenchimento? mancebo.
até aí é comedido e classificado "amizade boa", "quase irmandade".
então não há melhor momento que aquele em que se observa, ouve, absorve as palavras saídas do meliante (e derivados) e o incontido impulso de ouvi-lo, observa-lo e privilegia-lo com o que eu tenho de melhor.
compartilhar o que eu guardaria apenas pro meu próprio deleite.
alcançada tal edema, não há retorno.
o lúgubre do mal se deu.
lamente ter alimentado a quimera e te-la feito crescer.
é tarde.
e que fique claro: se fosse recíproco ainda, nem mal seria...
mas é efêmero, nocivo, insópito.
problema é vê-lo eterno e inócuo.
não é.
se deve haver qualidade a ser citada é o altruísmo que embala o caminho do matadouro.
enamourou-se então....?
sinto muito e alerto. ele é melindroso.
engoda a alma.
engoda até engodo.
e hoje, além de mal bom, adquiro também o que chamamos de "quimera do outro".
o que se desenvolve no conviver, cuidar, querer e escutar.
a casualidade não mais satisfaz e a gente quer hora e lugar.
diagnosticar é simples.
é recíproco? ora! realmente encontraste, meu jovem, seu outro você perdido nos perdizes.
agora, se as mariposas só tem pista de dança na SUA bexiga, lhe digo boquejando: já prescrevo terapia.
a catástrofe é ser imperceptível a princípio, inevitável em seu desenrolar e no fim, irreversível.
é como dizem... pra morrer, basta estar, estar... hun. estar... enamorado por mancebo perdiz.
lamento.
morrer de mal bom é honradez.
morrer de quimera é definhar até não haver mais água a expelir pelos olhos.
e a antífrase de tudo é que eu realmente não voltaria. alimento quimera gorda feito angorá.
como diziam sábios bibliofônicos, "não se turbe o vosso coração".
antídoto existe.
tornar recíproco
tornar câmbio
tornar permuta.
então vem a cura e a "quimera do outro" vira "ombro pra sempre".
e o mancebo passa a ser o perdiz perdido. passa a ser seu outro você que te tem e pronto.
um pouco de repouso e logo vem a alta definitiva.
caso contrário,
morte é certa.
ah, dualidade maniqueísta...
alta/funeral
bem. consulte seu médico periodicamente
faça exame preventivo de quando em quando
nunca se sabe.
eu? pereço feliz até que o faça tomar amor em mim.
de outra feita, meu lamento é mesmo por quem não padece.
até hoje lembram dos judeus, não lembram?
pois bem.
padeço então não para que me recordem como ao holocausto mas para que desfrute de cada pedaço de entremente de vida.
ainda que seja doença, mentira, biltre, blefe.
antes definhar de experimento que morrer de tédio.
e tenho dito.
espero que me tome amor.
explanada sintomática por completo, fica o alerta. prevenir? ah, não vale. exponha-se. depois damos jeito.
este entretanto, tomo como estudo de caso em depoimento particular.
acompanhe:
- até parece que o copéde por quem tomei amor não é quimera sibilante de momento...
sei que é. é que esqueço...
é fábula, historieta.
o duro é que é gangrena tal qual fosse real.
queria que fosse.
sabe-se que na inocação (repare no nome de doença. típico) deve haver o mancebo que provoque os primeiros sinais do padecer.
vem afinidade em intelecto.
música, livro, som. aí então é movediço.
as mariposas dançam acima da bexiga ou nela mesmo.
os olhos tomam forma inflamável. corpo vira ar e a vida que antes era boa fica vazia e depois boa de novo.
e a quem atribui-se o novo preenchimento? mancebo.
até aí é comedido e classificado "amizade boa", "quase irmandade".
então não há melhor momento que aquele em que se observa, ouve, absorve as palavras saídas do meliante (e derivados) e o incontido impulso de ouvi-lo, observa-lo e privilegia-lo com o que eu tenho de melhor.
compartilhar o que eu guardaria apenas pro meu próprio deleite.
alcançada tal edema, não há retorno.
o lúgubre do mal se deu.
lamente ter alimentado a quimera e te-la feito crescer.
é tarde.
e que fique claro: se fosse recíproco ainda, nem mal seria...
mas é efêmero, nocivo, insópito.
problema é vê-lo eterno e inócuo.
não é.
se deve haver qualidade a ser citada é o altruísmo que embala o caminho do matadouro.
enamourou-se então....?
sinto muito e alerto. ele é melindroso.
engoda a alma.
engoda até engodo.
e hoje, além de mal bom, adquiro também o que chamamos de "quimera do outro".
o que se desenvolve no conviver, cuidar, querer e escutar.
a casualidade não mais satisfaz e a gente quer hora e lugar.
diagnosticar é simples.
é recíproco? ora! realmente encontraste, meu jovem, seu outro você perdido nos perdizes.
agora, se as mariposas só tem pista de dança na SUA bexiga, lhe digo boquejando: já prescrevo terapia.
a catástrofe é ser imperceptível a princípio, inevitável em seu desenrolar e no fim, irreversível.
é como dizem... pra morrer, basta estar, estar... hun. estar... enamorado por mancebo perdiz.
lamento.
morrer de mal bom é honradez.
morrer de quimera é definhar até não haver mais água a expelir pelos olhos.
e a antífrase de tudo é que eu realmente não voltaria. alimento quimera gorda feito angorá.
como diziam sábios bibliofônicos, "não se turbe o vosso coração".
antídoto existe.
tornar recíproco
tornar câmbio
tornar permuta.
então vem a cura e a "quimera do outro" vira "ombro pra sempre".
e o mancebo passa a ser o perdiz perdido. passa a ser seu outro você que te tem e pronto.
um pouco de repouso e logo vem a alta definitiva.
caso contrário,
morte é certa.
ah, dualidade maniqueísta...
alta/funeral
bem. consulte seu médico periodicamente
faça exame preventivo de quando em quando
nunca se sabe.
eu? pereço feliz até que o faça tomar amor em mim.
de outra feita, meu lamento é mesmo por quem não padece.
até hoje lembram dos judeus, não lembram?
pois bem.
padeço então não para que me recordem como ao holocausto mas para que desfrute de cada pedaço de entremente de vida.
ainda que seja doença, mentira, biltre, blefe.
antes definhar de experimento que morrer de tédio.
e tenho dito.
espero que me tome amor.
explanada sintomática por completo, fica o alerta. prevenir? ah, não vale. exponha-se. depois damos jeito.
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